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Para CEO da Uber, América Latina é um dos melhores mercados para a empresa

Dara Khosrowshahi acredita que a região promete ser tão próspera para a empresa quanto os EUA

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  • A Uber estreou na Bolsa em maio, com um IPO que foi considerado o maior do ano, mas as ações da empresa tiveram desempenho abaixo do esperado;
  • A empresa divulgou resultados do Q2 na semana passada – e os lucros relatados não agradaram aos investidores.

Apesar de ser a maior empresa de mobilidade no modelo ride-sharing, os últimos meses não têm sido nada fáceis para a gigante de São Francisco, Uber. Na última quinta-feira (8), a companhia divulgou os resultados do segundo trimestre de 2019 e viu suas ações cair em 12%, em razão da insatisfação de Wall Street.

Desde que listou suas ações publicamente, em maio, no que foi considerado o maior IPO do ano, a Uber enfrenta um momento delicado diante dos investidores. As ações da empresa ainda não escalaram acima do valor ofertado na estreia. Mais da metade das perdas relatadas no segundo trimestre – US$ 5,24 bilhões, quase R$ 21 bilhões – se refere à compensação de custos com funcionários relacionados ao IPO – a empresa preferiu pagar os funcionários com ações em vez de dinheiro.

Mas mesmo com uma maré de reveses, a maior companhia de ride-sharing parece bastante confiante de que está produzindo resultados saudáveis, principalmente a longo prazo, segundo o que defendeu Dara Khosrowshahi, CEO da Uber, em entrevista à rede CNBC.

Mais do que falar sobre números que comprovam a boa performance da empresa, o executivo salientou a importância de um dos maiores mercados para a companhia: a América Latina.

“A América Latina é um dos melhores mercados que temos no ramo de ride-sharing. É um mercado enorme. O PIB lá está aumentando.” disse Khosrowshahi, além de mencionar a relevância da Argentina para a Uber.

“Você olha para a Argentina, por exemplo, Buenos Aires agora é a quinta maior cidade para nós globalmente em termos de viagens para negócios. Nós sabemos como operar na América Latina”.

Khosrowshahi disse que não há nenhuma razão para que a empresa não seja tão bem-sucedida na América Latina quanto em seu mercado natal, os Estados Unidos. Se para chegar lá, disse Khosrowshahi, for necessário mais investimento, a empresa está decidida a fazer isso acontecer.

“Assim como o Uber Eats se tornou parte do léxico cotidiano dos americanos, achamos que o mesmo pode ser verdade na América Latina. Vai precisar de investimento? Sim. Vai precisar de execução? Sim. Mas temos uma enorme vantagem na marca e na plataforma que construímos localmente (…) A marca Uber é amada na América Latina”.

Quanto aos números, Khosrowshahi fez questão de salientar o quanto o setor se tornou brutalmente mais competitivo, com movimentações de concorrentes como Lyft e DiDi.

Mas com resultados que mostram mais de US$ 15 bilhões em viagens sendo agregados ano a ano, com crescimento anual de 37% e mais de 100 milhões de usuários ativos mensalmente crescendo 30%, a gigante norte-americana definitivamente parece saber o que está fazendo.