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C6 Bank estreia com 200 mil clientes e tarifa zero

O novo banco digital já chega completo para competir com players em pleno crescimento, como Nubank e Banco Inter

prédio sede do C6 Bank
  • Sete meses depois da autorização do Banco Central, o C6 Bank nasce com 200 mil clientes e vontade de se destacar em um setor em franca expansão;
  • Com um capital social de R$ 315 milhões, o C6 deve receber um total de R$ 500 milhões em investimentos só em 2019 de seus sócios;
  • O C6 Bank deve dobrar o número de clientes e fechar 2019 com cerca de 700 funcionários.

O C6 Bank estreou oficialmente na segunda-feira (5), com uma forte campanha de marketing que tem até jingle próprio. A fintech tem ex-executivos do BTG-Pactual como investidores e sabe que está chegando em um setor em franca expansão na América Latina, mas que ainda está longe de estar consolidado.

Para ganhar espaço em um cenário liderado pelo Nubank e que também têm fortes players como Neon, Next, Original e Banco Inter, que acaba de receber mais de R$ 1 bilhão em investimentos do SoftBank via oferta de ações, o C6 Bank vem testando e retestando seus produtos e serviços desde janeiro deste ano, quando ganhou a autorização do Banco Central para começar a operar.

Os testes da fintech começaram ainda no primeiro semestre com seus funcionários. Em maio, quando o C6 já tinha cerca de 500 colaboradores, foi a vez de entrar em uma fase beta e abrir o app para clientes convidados. Assim, a estreia ocorre já com 200 mil clientes e a expectativa de que 2019 termine com pelo menos o dobro disso.

Um dos focos do C6 está na tarifa zero (ou quase). No caso da pessoa física, a conta oferecida é isenta de taxas de abertura e manutenção, tem TED e TEF ilimitados. Nem mesmo o saque, pelo qual o Nubank cobra R$ 6,50, por exemplo, o C6 vai cobrar. No caso da pessoa jurídica, o pacote oferecido dá direito a 100 transferências gratuitas. Essa isenção de tarifas em praticamente todos os serviços básicos foi possível porque as soluções foram desenvolvidas desde o início a custos muito baixos e com foco na experiência do usuário. 

Assim como no caso de seus concorrentes, o C6 também sabe que tem de se concentrar na oferta de determinados serviços e que só uma boa experiência é que vai fazer dele uma escolha definitiva para os clientes. A corrida entre os bancos digitais, aliás, está focada nisso. Afinal, até o momento, mesmo após investimentos bilionários, essas empresas ou dão prejuízo ou ainda estão longe do seu potencial de monetização. Ao jornal Valor Econômico, a fintech disse que pretende chegar atingir o lucro operacional em um ano.

Uma característica que se destaca no app do C6 nesse sentido é a transparência. A solicitação de dados ou mesmo as fases de um procedimento são explicadas de maneira simples e didática ao usuário, nada de “financês”.

Diferentemente de outros players, como o Original, que começou em 2017 de olho em clientes de renda maior do que R$ 7 mil, o C6 estreia sem restrições. “Qualquer um pode solicitar uma conta no C6 Bank. Além da conta corrente comum, que dá a opção de cartão de débito e crédito,  o banco também oferece uma conta do tipo pagamento, em que o usuário tem acesso apenas ao cartão de débito”, explicou a porta-voz do C6 Bank, Verena Fornetti, ao LABS.

Um programa de recompensas, o Átomo, também promete ser um diferencial do C6 entre os concorrentes. Na loja, que ainda neste trimestre estará disponível no aplicativo do C6 Bank, será possível emitir passagens aéreas de diversas companhias ou transferir pontos para os programas Multiplus, Tudo Azul, Smiles e TAP Miles&Go. O cliente também poderá trocar seus pontos por serviços e produtos de marcas como Netflix, Uber, Magazine Luiza e Fasano Gourmet. Os clientes do cartão C6 Carbon, correspondente ao Mastercard Black, já pontuam no programa desde a abertura de conta (são 2,5 pontos carbon para cada US$ 1 gasto).

Nos próximos meses, usuários do cartão C6, que é isento de anuidade, também poderão participar do programa Átomos. Nesse caso, o acúmulo de pontos ocorrerá não só nas compras com cartão de crédito mas também no cartão de débito e no pagamento de boletos. A quantidade de pontos acumulados vai variar de acordo com o plano contratado, que pode ser gratuito ou ter o custo mensal de R$ 10 ou R$ 20.

Além dos serviços e produtos já citados, o C6 entra no segmento de maquininhas com uma marca própria, C6 Pay. “O equipamento não tem taxa de aluguel nem de aquisição para MEIs (Microempreendedores Individuais), pessoas físicas e empresas com faturamento na maquininha a partir de R$ 5 mil por mês”, explica Fornetti. Outra novidade é o C6 Kick, outro serviço gratuito que faz transferência via SMS a partir do número de celular do destinatário.

R$ 500 milhões em investimentos até o fim de 2019

Com um capital social de R$ 315 milhões, o C6 deve receber um total de R$ 500 milhões em investimentos só em 2019 de seus sócios. Na fintech, o modelo societário adotado é o de partnership, que permite que colaboradores se tornem sócios do banco ao longo do tempo.

“Por enquanto, seguimos com capital próprio. É provável que tenhamos no futuro outros investimentos, mas não há nenhuma rodada de investimentos fechada neste momento”, disse Fornetti. A fintech deve fechar 2019 com cerca de 700 funcionários.