Economia

México é mais um a cortar juros com receio de uma desaceleração global

México, Brasil e Argentina estão em lista de nove países à beira da recessão e precisam fazer a lição de casa

cédulas de peso mexicano
  • O México cortou seus juros básicos na quinta (15) pela primeira vez em cinco anos, e após outros tantos terem feito a mesma coisa;
  • Um estudo feito pelo BNY Mellon Asset Management, uma das 10 maiores gestoras de investimentos do mundo, listou nove países à beira da recessão. Brasil, México e Argentina estão nela.

O conselho do Banco do México (Banxico) decidiu, na quinta-feira (15), reduzir a taxa básica do país de 8,25% para 8% ao ano pela primeira vez em cinco anos. Apenas um dos seis membros do conselho da instituição votou pela manutenção da taxa.

O movimento não era esperado pelos analistas antes de setembro e foi motivado por um senso de ameaça de uma desaceleração global. O presidente do Banco Central do México, Alejandro Díaz de Leon Carrillo, disse à Reuters que o recuo da inflação, em torno de 3,8% agora, ajudou na tomada dessa decisão. Ele também disse que a instituição acompanhará com atenção os indicadores econômicos e as incertezas globais nas próximas semanas, alimentando as expectativas de que a flexibilização da política monetária do país terá novos capítulos.

O medo global de uma desaceleração não é apenas do México. Na semana passada, países como Nova Zelândia e Filipinas também reduziram as taxas para um patamar recorde. Ainda no início de agosto, foi a vez do Brasil e dos Estados Unidos.

Na ocasião, o Federal Reserve anunciou o mais profundo corte nas taxas de juros em mais de uma década, para um intervalo de 2% a 2,25% ao ano. No mesmo dia, o Banco Central do Brasil reduziu a Selic para 6% ao ano.

Nos Estados Unidos, o movimento visou a sustentação da expansão econômica. Foi o primeiro corte nas taxas de juros desde 2008. No Brasil, o corte também visava estimular a economia, mas partindo de um ponto totalmente diferente,  já que o país saiu da pior recessão em 2018 e registrou taxas de crescimento muito baixas desde então.

De um modo geral, os cortes na taxa de juros reduzem o custo do crédito, o que também resulta em taxas mais baixas para os consumidores e ajuda a estimular a economia. Mas isso geralmente só acontece depois de um tempo e se outros fatores, como inadimplência e concentração de mercado, também estiverem sob controle, ou seja, baixo.

Países emergentes como o Brasil e a Argentina e também outras nações altamente dependentes do comércio externo, como Cingapura, estão sofrendo. A queda da China e a guerra comercial de Donald Trump estão minando atividades que foram o motor da economia global por décadas, e muitos países estão enfrentando um forte declínio nas exportações.

Um estudo feito pelo BNY Mellon Asset Management, uma das 10 maiores gestoras de investimentos do mundo, publicado pelo Washington Post e traduzido para o português pela Gazeta Povo, listou nove países à beira da recessão: Alemanha, Itália, Reino Unido, México, Brasil, Argentina, Cingapura, Coreia do Sul e Rússia.

Se os governos da China e da Alemanha, por exemplo, decidirem tomar medidas para estimular a economia, isso pode ajudar a todos, mas o impacto da desaceleração global dependerá das condições estruturais de cada país. Nesse sentido, o Brasil e a Argentina têm uma lição de casa e tanto para fazer.

Nesta sexta-feira (16), o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse, segundo a Reuters e a Forbes Brasil, que o país “está pronto para o dólar a R$ 4,20”, se referindo à escalada da moeda, resultado direto da tensão global e da busca de investidores por mais segurança na moeda mais forte do mundo, entre outros fatores. O país tem reservas de US$ 388 bilhões para isso e começou a usá-las nesta semana.