Economia

Primária indica saída de Macri na Argentina e derruba Bolsa brasileira

Como cada partido indicou apenas uma chapa, a primária serviu como uma super prévia do primeiro turno

Read in english
  • Os resultados das primárias das eleições na Argentina, realizadas neste domingo, mexeram com o mercado financeiro nesta segunda (12);
  • Como cada partido ofereceu apenas uma chapa aos eleitores, as primárias acabaram sendo uma prévia do primeiro turno, marcado para o fim de outubro;
  • Com isso, o dólar disparou sobre o peso e o real, e a Bolsa brasileira caiu.

Os resultados das primárias das eleições deste ano na Argentina, realizadas no domingo (11), mexeram com o mercado financeiro nesta segunda-feira (12). Foi apenas mais lenha em um ambiente já hostil em razão do conflito comercial Estados Unidos-China, da primeira queda da economia do Reino Unido em sete anos, entre outros fatores.

Instituídas pelo ex-presidente Nestor Kirchner, as primárias existem para que o eleitorado argentino indique quais candidatos de cada partido devem, concorrer à eleição. Desta vez, como cada partido deu apenas uma chapa como opção, as primárias acabaram sendo uma super prévia do primeiro turno, marcado para o fim de outubro.

Mais abrangente do qualquer pesquisa eleitoral poderia ser, já que exige que todos os eleitores compareçam, a etapa das primárias realizada nesse domingo (11) acabou por revelar que o atual presidente Mauricio Macri tem poucas chances de conseguir a reeleição.

A votação mostrou também que a ex-presidente Cristina Kirchner tem chances de retornar ao comando do país latino-americano, como vice de Alberto Fernández.

A chapa de Cristina teve 47,65% dos votos e a de Macri, 32,08%.

Nesta segunda (12), para conter uma sangria, o Banco Central da Argentina (BCRA) teve de subir a taxa de juros pega pelas notas do Tesouro com prazo de sete dias, conhecidas como Leliq, e que são uma referência para o mercado financeiro. Segundo o jornal La Nácion, a autoridade monetária do país também precisou fazer um leilão de US$ 50 milhões para conter a desvalorização da moeda. O dólar comercial estava cotado acima dos 50 pesos às 17 horas, tendo passado dos 60 pesos ainda pela manhã.

Já próximo ao fechamento, o Merval, principal índice de ações de empresas argentinas, recuava mais de 35 pontos percentuais.

No Brasil, os efeitos também foram negativos – a Argentina é um dos principais parceiros comerciais do país.

O dólar comercial bateu os R$ 4 para a venda no meio da manhã, mas fechou em R$ 3,98, alta de 1% em relação à última sexta-feira. A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de dois pontos percentuais, a 101.915 pontos.

Também nesta segunda (12), outros mercados sofreram com a guerra cambial entre EUA e China. A moeda chinesa continuou a ser cotada acima de 7 yuans por dólar.

Em seu blog no UOL, o jornalista e economista do Grupo Fipe-USP José Paulo Kupfer disse que “ainda que as cotações procurem zonas de acomodação nos mercados financeiros, a insegurança em relação ao ambiente econômico no futuro próximo é agora a tônica nos mercados globais, incluindo os das economias emergentes, como é o caso do Brasil”.