Economia

Crise global e uma Guerra Fria entre EUA e China: as perpectivas de Nouriel Roubini

No palco da Money20/20 USA, o economista que previu a crise de 2008 projetou um cenário apocalíptico protagonizado por EUA e China

o economista Nouriel Roubini
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Conhecida por ser a convenção que mostra os próximos passos da tecnologia financeira, a Money 20/20 USA, em Las Vegas, também foi palco de novas previsões de Nouriel Roubini, o economista que previu a crise mundial de 2008.

O turco residente em Nova York não se ateve ao setor econômico e mostrou preocupação também com o ambiente político especialmente entre China e Estados Unidos.

“Hoje vemos uma batalha entre esses dois países em tecnologia e provavelmente ela aumentará nos próximos anos. Eles vão lutar para que você use o sistema operacional ou as ferramentas, os produtos deles ”, disse Roubini.

Veremos uma Guerra Fria entre esses países, onde os dados e a tecnologia estarão no centro. O mundo será fragmentado e os dados darão a eles cada vez mais poder.

Nouriel Roubini, economista.

Para Roubini, a próxima crise econômica mundial, além de ser protagonizada por estes dois países, deve ter como epicentro as dívidas corporativas. Ao explicar sua visão sobre essa próxima crise, ele salientou que fazer previsões sobre o cenário econômico é uma arte baseada em modelos.

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“Tudo passa por um estudo do modelo econômico, das movimentações políticas e também intuição (…) Não é algo simples, baseado em um só conceito, é um processo mais eclético e diverso. A verdade é que todo mundo hoje tem dados, mas quando você conecta os pontos certos você começa a ver informação. Em 2008, vi muitos sinais de crise em economias emergentes, por exemplo, que ajudaram naquela previsão”, disse.

“Não é fácil prever uma crise, mas elas são possíveis de identificar, pois têm sinais muito claros que estão na nossa frente”, completou Roubini, que disse ainda que sua posição como acadêmico o ajuda a falar sobre o futuro da economia mundial.

“Todo mundo vive numa bolha e se beneficia disso. Muitas pessoas do mercado não querem falar sobre crise, pois isso afeta o mercado e o negócio. No meu caso, acho que o isolamento acadêmico me permite falar o que eu estudo sem esse tipo de preocupação”, disse o professor.