Economia

A guerra comercial virou uma guerra cambial?

Dólar versus moedas latino-americanas

cédula de dólar
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  • Em meio à nova batalha entre os Estados Unidos e a China, a guerra comercial parece ter se transformado em uma guerra cambial;
  • O Real caiu para o seu valor mais baixo em mais de dois meses na quarta-feira (8). O dólar chegou a R$ 3,97.
  • Em geral, os especialistas dizem que a continuidade de uma guerra comercial baseada na guerra cambial é potencialmente perigosa para todos, especialmente para os mercados emergentes.

Em meio à nova batalha entre os Estados Unidos e a China, a guerra comercial parece ter se transformado em uma guerra cambial nos últimos dias. Os países parecem estar correndo para empurrar suas moedas para baixo para obter uma vantagem comercial sobre seus concorrentes.

De acordo com o site especializado Markets Insider, esse movimento vai na contramão do que deveria ser a relação entre os países, que deveriam ter como objetivo principal alcançar uma economia equilibrada. E esse movimento tem preocupado especialistas financeiros. O Cboe Volatility Index, ou VIX, comumente conhecido como medidor de medo do mercado de ações, saltou 32% na quarta-feira (7).

Analistas ainda estão avaliando a decisão da China, na segunda-feira, de permitir que a moeda do país caísse do patamar de 7 yuans por dólar pela primeira vez em mais de uma década. A queda acentuada da moeda chinesa veio depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou uma tarifa adicional de 10% sobre US$ 300 bilhões em importações chinesas a partir de 1º de setembro.

O Real caiu para o seu valor mais baixo em mais de dois meses na quarta-feira (8). O dólar chegou a R$ 3,97. Nem a aprovação da reforma da Previdência em segundo turno na Câmara dos Deputados nem a venda de swaps cambiais pelo Banco Central abrandaram a queda do real frente ao dólar norte-americano.

Juan Prada, estrategista do Barclays, disse à Reuters que o Brasil está no caminho certo, mas que as incertezas políticas e os indicadores econômicos críticos, como o desemprego, ainda representam riscos para a economia do país.

No México, o peso também caiu com o yuan chinês. A moeda mexicana está, no momento, em uma faixa entre 19,50 e 19,75 para cada dólar.

A vulnerabilidade do México se deve ao “aumento dos riscos idiossincráticos”, disse à Reuters Natalie Rivett, analista sênior de mercados emergentes da Informa Global Markets. Segundo ela, a administração do presidente Andrés Manuel López Obrador “não realizou as reformas necessárias para atrair investimentos e aumentar a produtividade”, disse ela à Reuters.

Também nesta semana, a moeda da Colômbia desvalorizou-se e chegou, na segunda-feira, a uma baixa histórica diante do dólar. A moeda americana fechou o dia cotada a 3.480 pesos colombianos (COP) – fazendo da moeda a mais fraca da região.

Segundo o portal QCostaRica, “em fevereiro, o dólar chegou a 3.379 COP, mas o recorde caiu novamente e a moeda colombiana perdeu cerca de 12,5% depois que o Banco Central [do país] disse que pararia de comprar a moeda norte-americana”.

Em geral, os especialistas dizem que a continuidade de uma guerra comercial baseada na guerra cambial é potencialmente perigosa para todos, especialmente para os mercados emergentes. No caso brasileiro, mesmo que haja um ganho nas exportações de commodities a médio prazo, o custo que uma alta valorização do dólar norte-americano traz consigo, como a pressão sobre o custo de crédito e a aquisição de bens para as empresas, não é positivo a longo prazo.