Economia

Governo brasileiro quer lançar linha de crédito baseada em recebíveis de cartões para ajudar empresas na crise

Segundo antecipou neste domingo o jornal Valor Econômico, a modalidade emprestaria até R$ 10 bilhões, vindos exclusivamente do Tesouro Nacional

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  • Neste tipo de linha, chamado de “crédito fumaça”, bancos e credenciadoras se baseiam no fluxo de pagamentos por terminais físicos (as maquininhas) para conhecer a capacidade de cada empresa;
  • A cobrança do empréstimo é feita depois na forma de um percentual das vendas futuras da empresa, e nenhuma outra garantia é necessária.

O governo brasileiro está elaborando mais uma linha de crédito para ajudar empresas de menor porte (com faturamento anual de até R$ 360 mil) a superar a crise da COVID-19. Destinada a quem não precisa de tantos recursos, essa nova linha se basearia em recebíveis de vendas com cartões, com um mecanismo de corte de impostos direcionado aos bons pagadores. Segundo antecipou neste domingo o jornal Valor Econômico, a modalidade emprestaria até R$ 10 bilhões, vindos exclusivamente do Tesouro Nacional.

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Empresários têm reclamado que as modalidades disponibilizadas desde o início da pandemia não estão chegando a quem mais precisa. Essa nova linha de crédito seria a quarta tentativa do governo nesse sentido.

Neste tipo de linha, chamado de “crédito fumaça”, bancos e credenciadoras se baseiam no fluxo de pagamentos por terminais físicos (as maquininhas) para conhecer a capacidade de cada empresa. A cobrança do empréstimo é feita depois na forma de um percentual (de até 5%) das vendas futuras da empresa, e nenhuma outra garantia é necessária.

Para acessarem essa linha de crédito, as empresas precisariam ter registrado um fluxo médio mensal de R$ 3,2 mil e R$ 30 mil, no período de novembro de 2019 a março de 2020. Em geral, elas conseguiriam emprestar até duas vezes essa média mensal.

Segundo o Valor, o prazo máximo de pagamento dessa linha seria três anos, a um juro prefixado em 3,75% ao ano (ou menos considerando que a Selic caiu para 2,25% ao ano). Os bancos seriam responsáveis pelos custos operacionais da linha. Já os recursos do Tesouro seriam administrados, possivelmente, pelo BNDES ou pelo Banco do Brasil.