Economia

Onda de protestos faz mercado rever para baixo o crescimento do Chile

Principal demanda da população é a revisão da Constituição do país, promulgada na época da ditadura

Protestos em Santiago no último dia 29 de outubro.
Protestos em Santiago no último dia 29 de outubro. Foto: Shutterstock
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  • No terceiro trimestre deste ano, a economia chilena cresceu 3,3% em comparação ao mesmo período do ano anterior;
  • As manifestações no entanto, podem fazer com que o país feche o ano com menos de 2% de crescimento, estima o Banco Central do Chile.

A onda de protestos que estourou no Chile nas últimas semanas e que está provocando uma revisão da Constituição do país também está afetando a visão que o mercado tem sobre o futuro da nação latino-americana.

Segundo a Bloomberg, em texto reproduzido em português pela revista Exame, analistas estão projetando um encolhimento na economia de US$ 300 bilhões neste último trimestre e acreditam que a retração possa se estender também ao início de 2020. Dois trimestres seguidos de retração são considerados recessão técnica pelos economistas.

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Segundo Gonzalo Sanhueza, economista da empresa de serviços financeiros Econsult, em Santiago, a revolta social trouxe “um grande aumento da incerteza”. “Quando isso acontece, os investimentos e a demanda dos consumidores congelam. E isso leva a uma desaceleração”, disse ele à Bloomberg.

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No terceiro trimestre deste ano, a economia chilena cresceu 3,3% em comparação ao mesmo período do ano anterior. As manifestações no entanto, podem fazer com que o país feche o ano com menos de 2% de crescimento, estima o Banco Central do Chile.

Esse cenário já foi visto diversas vezes não só no Chile, como em outros países da América Latina, onde as incertezas políticas ainda têm uma forte influência sobre o desempenho econômico da região, mais do que no quando situação semelhante ocorre em países desenvolvidos.

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Entre os efeitos práticos dessa revolta social no Chile, estão a queda nas vendas (o varejo é responsável por 50% dos empregos no país), o recuo no agronegócio e nas exportações, já prejudicado pela seca no país, mas agravado pelo fechamento de portos. As promessas do governo de os gastos com programas sociais serão reforçados – uma resposta a algumas demandas dos protestos – também deve aumentar o déficit fiscal do país, o que normalmente deixa investidores, internos e externos, em alerta.

Ainda na semana passada, governo e oposição chegaram a um acordo para a reforma da Constituição do país, promulgada na ditadura de Augusto Pinochet. O ministro da Fazenda, Ignacio Briones, disse estar confiante que o país evitará a recessão técnica. Já os economistas, segundo a Bloomberg, ainda não veem um cenário definido.