Economia

Argentinos têm compras e transferências para o exterior limitadas a US$ 10 mil

Contra desvalorização cambial, Argentina limita de compras e transferências para o exterior de pessoas e empresas

casa de câmbio nas ruas de Buenos Aires.
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  • Como forma de conter a desvalorização cambial e a busca interna por dólares, a Argentina está impondo novos limites para compras e transferências para o exterior;
  • O acesso a dólares, metais e transferências precisará de autorização prévia a partir de agora.

O anúncio foi feito durante o fim de semana. Como forma de conter a desvalorização cambial e a busca interna por dólares, a Argentina está impondo novos limites para compras e transferências para o exterior.

Para pessoas físicas, o limite é de até US$ 10 mil por mês. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, os exportadores também terão de retornar ao país as divisas que resultem de vendas no exterior em até cinco dias após receber ou em até seis meses após o embarque.

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Na prática, o governo de Mauricio Macri tomou uma medida de controle do câmbio. O acesso a dólares, metais e transferências precisará de autorização prévia a partir de agora. 

Nas últimas semanas, o peso argentino se desvalorizou muito. O acirramento da crise econômica no país pós prévias das eleições presidenciais, sem contar os efeitos do conflito Estados Unidos-China, tiveram um impacto forte no país, que tem uma economia altamente dolarizada. 

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De acordo com a Folha, até 2017, os exportadores tinham que retornar com a moeda estrangeira para o país em até 30 dias. Macri derrubou estes controles, como prometera na campanha eleitoral. Agora, volta a impor as regras, dado o contexto de escassez de divisas às portas da eleição presidencial, cujo primeiro turno ocorre dia 27 de outubro

A chapa da oposição, que é liderada pelo peronista Alberto Fernández e tem a ex-presidente Cristina Kichner, venceu as primárias e tem tudo para sair vitoriosa já no primeiro turno. 

O jornalista e colunista da Forbes, Kenneth Rapoza, disse que as novas regras são uma volta à – desastrosa – política econômica da era Kichner. Para o jornalista, as intenções liberais de Macri não passaram disso, intenções. “Nos últimos meses, Macri reinstalou o controle de preços da era Kirchner sobre bens ativos como gasolina, e, no domingo, por decreto, limitou o volume de dólares que pessoas e exportadores podem usar”, descreveu Rapoza.