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Negócios

Um banco sem filas: a entrada dos serviços financeiros na era digital

Enrique Culebro Karam, Presidente da Associação de Internet.MX e Diretor Geral da Central Media S.C., discute as mudanças no ecossistema financeiro do México através das movimentações de players como Nubank e novas soluções como CoDi

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Transação financeira via smartphone

Os serviços financeiros têm sido uma parte importante do crescimento de pequenas e grandes empresas, bem como do desenvolvimento social. Contas correntes, crédito, seguros e contas de poupança, fazem parte dos serviços mais contratados pelas pessoas, com base em dados da Terceira Pesquisa Nacional de Inclusão Financeira (ENIF), realizada em 2018 pelo Instituto Nacional de Estatística e Geografia do México.

Até então, para gerenciar a contratação de um serviço no banco era necessária a presença do solicitante. Mas atualmente, as soluções tecnológicas estão permitindo que cada vez mais pessoas acessem serviços financeiros sem ter que se deslocar até uma agência física. Com isso, surge um modelo de negócio baseado em plataformas digitais, no qual o crédito é o core business.

Mas o que está acontecendo agora com o setor bancário e seu desenvolvimento na internet?

Com base no 15º Estudo de Hábitos dos Usuários no México, 2019, existem 82,7 milhões de pessoas conectadas, das quais 58% realizam atividades financeiras on-line, 5% a mais do que no ano passado. O smartphone é o meio pelo qual essas ações são realizadas, já que das pessoas que realizam atividades financeiras online, 28% utilizam um smartphone, fazendo a transação pelo aplicativo do banco. Como já se sabe, grande parte das indústrias tradicionais estão enfrentando um processo de transformação em que o uso da tecnologia as está forçando a se adaptar ao ambiente e ao mesmo tempo, oferecendo-lhes uma área na qual podem desenvolver ideias inovadoras, favorecendo o cliente.

Terminologia bancária: da moeda ao dinheiro digital

As atuais operações bancárias criaram uma confusão de termos dentro do mundo digital. E vale ressaltar: criptomoeda, moeda virtual e dinheiro digital não são a mesma coisa.

O dinheiro digital é aquele usado para troca monetária através de uma plataforma eletrônica entre duas entidades bancárias por meio de moedas específicas (dólar, euro, peso, etc). Transações via aplicativos móveis, compras pela Internet e por meio de cartões de crédito ou débito em um terminal bancário no ponto de venda configuram essa modalidade. Assim, transferências interbancárias, compras online e com cartão se utilizam desse tipo de dinheiro.

Já a moeda virtual tem sua origem e uso no mundo digital. Este tipo de “dinheiro” está presente em duas formas; em videogames, para transações como os “V-Bucks” em Fortnite, os “Minecoins” em Minecraft e os “Pokecoins” em Pokémon Go; e através de moedas especializadas protegidas por criptografia, que não possuem um emissor centralizado e que servem para realizar transações no mundo digital – isso é o que se considera criptomoeda. “Bitcoin”, “Litecoin” ou “Dash” são alguns dos exemplos.

O fim das filas, dinheiro e cartões

Com o crescente uso de tecnologias e inovação em serviços bancários, a implementação de produtos que permitem o fácil acesso a novos clientes, assim como simplificam os processos de transferência, pagamento e solicitações, também abre muitas oportunidades para a geração de serviços. Um mercado mais competitivo no qual, diariamente, um grande número de entidades financeiras e de gerenciamento de informações bancárias são criados em todo o mundo, dando maior conforto ao usuário. Plataformas como Visa Checkout e Masterpass simplificam o processo de pagamento nas compras, oferecendo a gestão de dados bancários como core business, oferecendo a sensação de “proteção” como um valor agregado de seu negócio.

As tecnologias de leitura de código Quick Response (QR) ou Near Field Communication (NFC), que estão presentes nos smartphones, estão gerando a criação de projetos de grande porte para que mais pessoas possam entrar no mundo financeiro digital, fazendo compras sem a necessidade de dinheiro ou cartões de crédito ou débito. Esse é o objetivo do atual governo do México, que, em conjunto com o Banxico, está desenvolvendo o projeto CoDi (Cobros Digitales), no qual essas implementações tecnológicas permitem que os mexicanos se tornem mais digitais em termos de transferências bancárias e pagamentos de produtos, usando códigos QR e tecnologia NFC. O sistema CoDi permitirá que mais de 70% da população conectada se beneficie, já que no país, 92% dessa população tem o smartphone como o dispositivo de conexão preferido. Com isso, os estabelecimentos comerciais e bancários terão um desafio importante, investindo em tecnologia que permita o uso desses sistemas.

Leia também: CoDi, como la nueva plataforma de pagos mexicana podrá impulsar la innovación

Novos players

A abertura que a internet trouxe ao desenvolvimento do sistema bancário permitiu a entrada de novos players no mercado. Criação de empresas financeiras com base no ambiente digital – as fintech – e a incursão de outros players já desenvolvidas neste ecossistema, tais como Facebook, Google, Apple e Amazon (bigtechs) está suscitando nos bancos uma onda de inovação para o desenvolvimento de soluções financeiras baseadas nos hábitos dos usuários.

No México, o acesso às redes sociais é a principal atividade dos usuários de internet (82%). Com isso, a implementação de estratégias que permitam um acesso rápido e fácil às operações bancárias básicas através desses meios, está se tornando uma realidade. Exemplo disso são as ações realizadas no país pelos bancos Banorte e Santander, com as funcionalidades do Banorte Go, nas quais transferências interbancárias de até 8 mil pesos mexicanos podem ser feitas por meio de redes sociais como Facebook, Whatsapp, Twitter, Instagram e Tinder. ; e Santander TAP, com um valor máximo de transferência de 4 mil pesos pesos, disponível apenas no WhatsApp. Ambas as soluções estão até o momento habilitadas para dispositivos com sistema operacional Android.

Já com relação às novas empresas, o mercado mexicano é um dos que está na mira dos investidores, para desenvolver produtos bancários baseados inteiramente no digital. O caso mais interessante no momento é sobre a entrada da fintech brasileira Nubank, que acaba de se introduzir no mercado mexicano sob a marca Nu, oferecendo serviços financeiros que permitem que os usuários tenham uma maior estabilidade em suas finanças, além de mirar o desenvolvimento de talentos Mexicanos com a instalação de um Centro de Desenvolvimento e Tecnologia, que em conjunto com o de Berlim, na Alemanha, com foco em infraestrutura e engenharia de dados, buscará o crescimento da Nubank em todo o mundo.

Leia também: Nubank’s New Move Towards Mexico: What Does This Mean for the Country?

O desenvolvimento do sistema bancário através do uso da internet e novas tecnologias no México está permitindo a inclusão de mais pessoas como consumidores de produtos bancários, incentivando o comércio eletrônico através da proteção de dados e facilitação de processos de pagamento, bem como a abertura para novos concorrentes. Com isso, vem uma oferta financeira mais ampla, constante inovação em soluções voltadas à melhor experiência do cliente e o crescente hábito desse consumidor no mundo digital através do uso de tecnologias.

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