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Negócios

Empreendedorismo na América Latina: estudo revela quais são os países mais favoráveis para investir

A edição 2018 do The Global Entrepreneurship Index (GEI) analisa 137 países em 14 pilares fundamentais para o entendimento e construção de cenários favoráveis ao empreendedorismo. Confira o posicionamento da América Latina!

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Importante indicador da saúde do ecossistema de empreendedorismo em um determinado país, o documento The Global Entrepreneurship Index (GEI) teve sua edição 2018 publicada pelo The Global Entrepreneurship and Development Institute (The GEDI Institute), a principal organização de pesquisa que promove o conhecimento sobre a relação entre empreendedorismo, desenvolvimento econômico e prosperidade, com sede em Washington D.C. (EUA).

O GEI mede a qualidade do empreendedorismo e a extensão e profundidade do apoio do ecossistema ao empreendedor. O documento identificou 14 componentes importantes para a saúde do empreendedorismo, forneceu dados a cada um deles e usou esses mesmos dados para calcular a pontuação de cada um dos 137 países estudados. Entenda os critérios:

Pilar 1: Percepção da oportunidade

A população pode identificar oportunidades de iniciar um negócio e o ambiente institucional possibilita a atuação nessas oportunidades?

Pilar 2: Habilidades de inicialização

A população possui as habilidades necessárias para iniciar um negócio com base em suas próprias percepções e na disponibilidade do ensino superior?

Pilar 3: Aceitação de risco

As pessoas estão dispostas a assumir o risco de iniciar um negócio? O ambiente tem um risco relativamente baixo ou instituições instáveis aumentam o risco de começar um negócio?

Pilar 4: Networking

Os empreendedores se conhecem e estão geograficamente concentrados em suas redes?

Pilar 5: Suporte cultural

Como o país vê o empreendedorismo? É fácil escolher o empreendedorismo ou a corrupção dificulta o empreendedorismo em relação a outros planos de carreira?

Pilar 6: Oportunidade vs. necessidade

Os empreendedores são motivados pela oportunidade e não pela necessidade, e a governança facilita a escolha de ser um empreendedor?

Pilar 7: Absorção de tecnologia

O setor de tecnologia é grande e as empresas podem absorver rapidamente novas tecnologias?

Pilar 8: Capital humano

Os empreendedores são altamente educados, bem treinados nos negócios e capazes de se movimentar livremente no mercado de trabalho?

Pilar 9: Concorrência

Os empreendedores estão criando produtos e serviços exclusivos e capazes de entrar no mercado com eles?

Pilar 10: Inovação de produto

O país é capaz de desenvolver novos produtos e integrar novas tecnologias?

Pilar 11: Inovação de processos

As empresas usam novas tecnologias e podem acessar capital humano de alta qualidade em áreas STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática)?

Pilar 12: Alto crescimento

As empresas pretendem crescer e ter capacidade estratégica para atingir esse crescimento?

Pilar 13: Internacionalização

Os empreendedores querem entrar nos mercados globais e a economia é complexa o suficiente para produzir ideias que são valiosas globalmente?

Pilar 14: Capital de risco

O capital é disponibilizado por investidores individuais e institucionais?

O que concluiu o estudo sobre a América Latina

O GEI realiza uma análise global do empreendedorismo, fornecendo conclusões e percepções para cada continente e região, além do ranking completo, com todos os países relacionados e sua pontuação total de incentivo ao empreendedorismo após a validação de todos os pilares. Na América Latina, o estudo indica o Chile como o melhor mercado para se abrir uma empresa, liderando a corrida entre os países latino-americanos.

Leia também: Novo acordo de livre comércio entre Brasil e Chile: como aproveitar para o seu negócio

O recorte dado pelo estudo forneceu uma análise geral de países que compõem as Américas do Sul e Central, além do Caribe, o que resultou em apontamentos direcionados sobre a América Latina e seu potencial para o empreendedorismo. Muito mais do que apresentar dados, o GEI também fornece possíveis soluções para melhorar o ecossistema de empreendedorismo dentro de cada um dos 14 pilares analisados, seja você um empreendedor, uma grande empresa ou um legislador.

Felizmente, essa região é a mais pontuada, em média, quando o assunto são as habilidades de inicialização e inovação de produtos. Segundo o documento, os empreendedores latino-americanos se beneficiam do ensino superior amplamente disponível e de um alto nível de habilidade empresarial. Eles também estão criando produtos novos para os mercados e integrando novas tecnologias em seus negócios, com destaque para a força de trabalho STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática).

Por outro lado, ao contrário de regiões com desempenho mais equilibrado, a América Latina tem a oportunidade de criar melhorias significativas, concentrando-se em pontos como inovação de processos e capital de risco. Similar aos anos anteriores, o Chile ainda supera de longe o restante da região, com uma pontuação significativamente maior em relação aos seus vizinhos. Para se ter uma ideia, enquanto o Brasil se encontra na 98ª posição (a mesma do estudo divulgado em 2017), os chilenos estão na 19ª colocação.

América Latina: a mais forte em habilidades de startups e inovação de produtos

Para se chegar a essa conclusão, os países da região “responderam” a perguntas específicas dentro dos tópicos analisados. Para “Startup Skills”, a pergunta foi “a população tem as habilidades necessárias para iniciar um negócio com base em suas próprias percepções e na disponibilidade de educação terciária (ensino superior)?”, enquanto que para “Product Innovation” o questionamento foi “o país é capaz de desenvolver novos produtos e integrar novas tecnologias?”.

O que diz o GEI sobre os tópicos que favoreceram a América Latina

Startup Skills

As habilidades de inicialização sugerem que o lançamento de um empreendimento de sucesso requer que o empreendedor em potencial tenha as habilidades de startup necessárias e adequadas. Segundo o GEI, a maioria das pessoas nos países em desenvolvimento acredita ter as habilidades necessárias para os negócios, embora elas tenham sido geralmente adquiridas através de tentativa e erro no local de trabalho e em atividades de negócios relativamente simples.

Nos países desenvolvidos, a formação de negócios, operação e gestão exigem habilidades que são adquiridas através de educação formal e treinamento. Assim, a educação, especialmente a educação pós-secundária, desempenha um papel vital no ensino e no desenvolvimento de habilidades empreendedoras.

Product Innovation

Novos produtos desempenham um papel crucial na economia de todos os países. Enquanto os países já foram a fonte da maioria dos novos produtos, hoje os países em desenvolvimento estão produzindo produtos que são drasticamente mais baratos que seus equivalentes.

O novo produto é uma medida do potencial de um país para gerar novos produtos e adotar ou imitar produtos existentes. Para quantificar o potencial de inovação de novos produtos, uma variável institucional relacionada à transferência de tecnologia e inovação parece ser relevante. A transferência de tecnologia mede se um ambiente de negócios permite a aplicação de inovações para o desenvolvimento de novos produtos.

Do melhor ao pior

Entre todos os países da América Latina avaliados, bem opostamente ao Chile – o melhor ranqueado – vem a Venezuela, na 126ª posição. Não fica difícil desenhar e entender esse cenário. Enquanto o Chile conta com um programa de apoio do governo ao empreendedorismo – o Startup Chile – que incentiva as empresas nascentes com ciclos de incubação e aceleração com duração entre três e doze meses, a Venezuela surge mergulhada em grave crise, além de viver um verdadeiro colapso econômico.

Conclusão global

Considerando os 137 países analisados, o GEI apontou que houve uma melhora de 3% nas notas em relação ao ano passado. O levantamento também indica que esse crescimento pode acrescentar US$ 7 trilhões à economia mundial, reforçando o apoio ao empreendedorismo para a atividade econômica de forma geral.

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