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Negócios

Alta histórica do Ibovespa revela otimismo do mercado com Bolsonaro

Bolsa atinge maior patamar da história e confirma alinhamento entre o investidores e as primeiras movimentações da gestão de Bolsonaro. Manutenção da euforia depende da aprovação da Reforma da Previdência e da agenda pró-mercado defendida na campanha eleitoral.

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No dia 9 de janeiro de 2018, o Ibovespa superou, pela primeira vez na história, os 93 mil pontos. A impressionante marca é resultado de sucessivas altas no índice desde que Jair Bolsonaro (PSL) assumiu a presidência do Brasil no dia 1º de janeiro de 2019. Cumprindo com as previsões, o dólar também vem registrando quedas consecutivas e chegou à média dos R$ 3,70 no início do ano, o menor valor em dois meses.

Ninguém duvida que Jair Bolsonaro e o mercado estão em lua de mel.

As reações positivas são reflexo, entre outros fatores, do primeiro discurso oficial do ministro da Economia, Paulo Guedes, que confirmou a aplicação de uma agenda favorável ao mercado. Mais recentemente, ele reforçou também o compromisso com a aprovação de uma reforma da Previdência Social com regras mais rígidas. Essa é, sem dúvidas,  a pauta mais urgente para o governo Bolsonaro.

Como analisar a reação positiva do mercado aos primeiros passos de Bolsonaro e sua equipe na presidência do Brasil? Até que ponto o presidente vai construir uma governabilidade é estável e propícia à aprovação das reformas? Convidamos o professor da Pós-Graduação em Finanças da FAE Business School, Jorge Luis Prado, para refletir sobre o ânimo dos investidores com os primeiros passos da gestão Bolsonaro.

Crescimento e otimismo

Jair Bolsonaro e a primeira-dama, Michele, durante a cerimônia de posse em Brasília. Fonte: Carl de Souza (AFP)

A tranquilidade dos investidores com relação ao Brasil começou logo depois do primeiro turno das eleições presidenciais de 2018, em outubro. Bolsonaro reforçou seu favoritismo na corrida eleitoral e seu projeto econômico pró-mercado se tornou mais palpável. Durante a campanha, em setembro, o dólar atingiu a maior cotação da história do real, chegando a R$ 4,20.

Com a confirmação da vitória do militar, o mercado se acalmou. As propostas do presidente, favorável a profundas reformas liberais estruturais na economia brasileira, acenaram um futuro de estabilidade para os investidores.

Para o professor de Pós-Graduação em Finanças da FAE Business School, Jorge Luis Prado, as reformas representam uma condição para que o país caminhe em direção ao equilíbrio fiscal. “O Estado está deficitário. Com o que ele vem arrecadando não consegue pagar as contas. Ele não faz investimentos para infra-estrutura, turismo, segurança”, ressalta.

A recente satisfação dos investidores com relação aos primeiros passos da gestão de Bolsonaro indica, na visão de Prado, que o governo vem atuando conforme a linha pró-mercado defendida durante a campanha. “Temos 100 dias que a gente chama de ‘lua de mel’ para ver se aquela carta de boas intenções que ele divulgou durante a campanha será colocada em prática”, afirma.

Prado cita as nomeações de Joaquim Levy ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de Pedro Guimarães à Caixa Econômica Federal e Rubem Novaes ao Banco do Brasil (BB) como positivas, já que, sob a nova gestão, Caixa e BB devem se tornar bancos competitivos no mercado.

O pico de otimismo, no entanto, se deu com o apoio do PSL à candidatura do deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ) à presidência da Câmara dos Deputados. Para os investidores, a eleição do parlamentar facilitaria a aprovação de uma Reforma da Previdência com regras mais rígidas.

As negociações, no entanto, estão longe de acabar. Em sua primeira declaração sobre a reforma como presidente, Bolsonaro afirmou a possibilidade de fixar as idades mínimas em 57 anos para mulheres e 62 para homens. A proposta foi considerada “branda” por setores do mercado e por próprios integrantes e aliados do governo.

Em resposta, Rodrigo Maia declarou que uma idade mínima para a aposentadoria inferior a 65 anos exigiria a extinção da regra de transição, o que foi visto com bons olhos pelo mercado. Além disso, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmaram no 8 de janeiro que a versão a ser enviada aos deputados e senadores vai sugerir também a implementação de um regime de capitalização.

Nesse modelo, cada trabalhador terá uma espécie de poupança individual para custear a própria aposentadoria. Hoje, a contribuição das pessoas ativas são usadas para pagar os benefícios dos aposentados.

A apresentação das regras da reforma em um só “pacote” – com as regras da Previdência, de transição e o modelo de capitalização – é uma estratégia para evitar o desgaste político de parlamentares que possam estar indecisos.

A luta pela maioria no Congresso

O texto final do governo federal será enviada ao Congresso Nacional somente em fevereiro. E, apesar do cenário favorável a Bolsonaro, Prado ressalta que a governabilidade do presidente ainda está sendo construída.

Leia também: “O Brasil começa a descobrir quem é seu presidente” por Rogerio Galindo.

“Bolsonaro ainda não tem todo esse capital político [para aprovar as reformas]. Ele está construindo. Um exemplo foi a quantidade de ministérios. Durante a campanha, a proposta era 17 e, no fim, ficou com 22 para alocar determinados interesses em busca de apoio. Se o Maia não ganha a presidência da Câmara e deixa de apoiá-lo, ele pode ter dificuldade de aprovar”, destaca.

Mesmo com as movimentações políticas a todo vapor, deputados e senadores retornam do recesso parlamentar apenas em fevereiro. Por isso, os atritos da negociação em torno do projeto ainda não são claros. “Se ele não tiver o Congresso votando [a favor das pautas], ele vai fazer como? Por meio de Medidas Provisórias? A que preço?”, indaga Prado.

Apesar dessas incertezas, Prado identifica um cenário favorável. “De toda forma, há um otimismo muito grande, o maior dos últimos cinco anos, que já refletiu inclusive nas compras de Natal.  No momento, há otimismo, mas vamos continuar monitorando os próximos dias para ver se ele vai conseguir colocar em prática [as reformas]”, sugere.

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