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Reunião de cúpula do G20 na Argentina: confira os principais pontos do encontro

Disputa EUA x China, mudanças climáticas, comércio internacional, crescimento econômico e igualdade de gênero foram alguns dos assuntos debatidos na reunião do grupo das maiores economias do mundo, em Buenos Aires.

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Nos dias 30 de novembro e 01 de dezembro aconteceram em Buenos Aires, na Argentina, os encontros do G20, o grupo formado pelos ministros de finanças, chefes dos bancos centrais e líderes das 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia.

Criado em 1999, o G20 estuda, analisa e promove a discussão entre os países mais ricos e os emergentes sobre questões políticas relacionadas à promoção da estabilidade financeira internacional, e encaminha as questões que estão além das responsabilidades individuais de qualquer organização. Essa foi a primeira vez que os líderes das 20 maiores economias do mundo se reuniram na América do Sul.

Participaram dos encontros os principais nomes do cenário político e econômico internacional, como os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, da China, Xi Jinping, da Rússia, Vladimir Putin, da França, Emannuel Macron, da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, da Coreia do Sul, Moon Jae-in, e da África do Sul, Cyrill Ramphosa. Estiveram presentes ainda a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, o presidente do Brasil, Michel Temer, e os primeiros-ministros da Itália, Giuseppe Conte; do Canadá, Justin Trudeau; do Reino Unido, Theresa May; do Japão, Shinzo Abe; da Índia, Narendra Modi, entre outros. A reunião de cúpula também reuniu cerca de 3 mil jornalistas credenciados, vindos de, ao menos, 46 países.


Foto do encontro dos líderes durante o G20 em Buenos Aires, na Argentina. Fonte: Reuters

Confira quais foram os principais pontos discutidos pelos líderes na ocasião, com alguns trechos selecionados do texto final da reunião de cúpula do G20.

Disputa EUA x China

Discussão central no evento, falou-se sobre o aumento das tarifas sobre o aço, retaliações chinesas e críticas ao multilateralismo. De modo geral, os debates aprofundaram a polarização entre protecionismo e globalização.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter uma “relação incrível” com a China e que a cooperação dos dois países pode ser importante para a paz mundial. A Argentina, que passa por uma crise econômica, ficou no fogo cruzado entre os dois países, uma vez que deseja receber investimentos de ambos.

Em uma aparente trégua, Donald Trump se comprometeu a não elevar mais em janeiro a alíquota de importação de 10% a 25% sobre US$ 200 bilhões de produtos chineses, enquanto o presidente da China, Xi Jinping, disse que aumentaria a compra de mercadorias dos EUA.

Brasil longe do protagonismo

Em sua última participação na cúpula do G20, o presidente Michel Temer manteve longe o status de protagonista internacional – ao contrário dos últimos anos. Segundo a agenda do evento, Temer realizou encontros bilaterais com apenas dois representantes: os primeiros-ministros da Austrália, Scott Morrison, e de Singapura, Lee Hsien Loong.

Brasil anuncia apoio ao Acordo de Paris

Mesmo com as críticas do presidente eleito Jair Bolsonaro ao compromisso climático firmado no Acordo de Paris, Michel Temer afirmou que acredita na permanência do país no tratado, uma vez que não tem nenhum dado concreto que o permitisse pensar o contrário. Antes do G20, Temer também manifestou apoio ao acordo em uma reunião informal do Brics, o bloco de países emergentes que reúne Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul.

Macri faz o possível para atrair investidores

O presidente argentino, Mauricio Macri, desfrutava de uma popularidade relativamente alta quando Buenos Aires foi definida para sediar o G20. Atualmente, com a situação invertida, Macri precisou esquivar-se em vários acordos bilaterais, fazendo o possível para atrair investidores, fechar negócios com os líderes do grupo e sanar a crise econômica que assola o país. Em tempo: a crise obrigou Macri a emprestar US$ 56 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI) e a inflação da Argentina deve fechar o ano entre 45% e 50%.

Mudanças climáticas dão o tom

O Acordo de Paris foi muito discutido na cúpula, bem como as ações dos países em relação às mudanças climáticas. Líderes como Emmanuel Macron, presidente da França, atrelaram as negociações bilaterais ao comprometimento dos países com o tratado climático. O presidente dos EUA, Donald Trump, no entanto, reafirmou sua posição contra o Acordo de Paris e manteve-se isolado das outras nações quando as questões climáticas entraram em pauta.

EUA reforçam compromisso com o crescimento econômico

Apesar da saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, expressa em documento assinado, o país reforçou o “forte compromisso” com o crescimento econômico e com a segurança energética e que, para isso, usará todas as fontes de energia e tecnologias, mas protegendo o meio ambiente. Todos os demais países signatários do Acordo de Paris reafirmam a irreversibilidade do tratado e se comprometem com a sua implementação total.

Reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC)

Sobre relações globais, os países reconhecem que “comércio internacional e investimento são motores importantes de crescimento, produtividade, inovação, emprego criação e desenvolvimento”, porém, o G20 diz que o atual sistema multilateral está “aquém de seus objetivos”.

O grupo afirma apoiar a reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC) “para melhorar seu funcionamento”. As discussões sobre as mudanças, contudo, acabaram ficando para o próximo encontro da cúpula, ainda que o grupo tenha reafirmado a promessa de “usar todas as ferramentas políticas para alcançar um crescimento forte, sustentável, equilibrado e inclusivo”.

Argentina quer se abrir ao comércio internacional

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, afirmou a jornalistas que tanto seu país, como o Brasil, querem se abrir ao comércio internacional e buscar mais acordos através do Mercosul. Após o encerramento do G20, ele afirmou se dar conta de que Argentina e Brasil se equivocaram e que os países que se abriram nos últimos 20 anos são os que mais cresceram.

Macri também disse esperar que avancem as negociações que o Mercosul tem em curso, que incluem possíveis acordos bilaterais com União Europeia, Canadá, Cingapura e Japão.

Apesar das declarações do presidente argentino, o posicionamento do Brasil a partir de 2019 ainda está repleto de incertezas. O presidente eleito Jair Bolsonaro já declarou que o Mercosul não será esquecido, mas que também não estará em lugar de destaque entre as prioridades. Como este cenário será desenhado na prática, só o início do novo governo nos dirá.

Refugiados e igualdade de gênero

Abordando brevemente assuntos como migração e igualdade de gênero, no documento o grupo afirmou que “grandes movimentos de refugiados são uma preocupação global com as questões humanitárias, políticas, sociais e consequências econômicas”, reforçando a necessidade de “ações compartilhadas para abordar as causas básicas de deslocamento e responder às crescentes necessidades humanitárias”.

Já sobre a igualdade de gênero foi definida como “crucial para o crescimento econômico e o desenvolvimento justo e sustentável”. Ainda que não tenham sido discutidas maneiras práticas, o G20 reafirmou o compromisso de “reduzir a brecha de gênero na força de trabalho para taxas de participação de até 25% até 2025”.

Resumo do comunicado final

Nova onda de calmaria entre as grandes potências mundiais, pelo menos neste momento. Os líderes do G20 reconheceram os atuais problemas do comércio mundial. Entretanto, eles se abstiveram de condenar o protecionismo e o tão esperado desfecho do primeiro capítulo dos conflitos comerciais entre EUA e China aconteceu. Com os ânimos mais calmos, a promessa de trégua é positiva para as economias latino-americanas que recebem grandes investimentos da China, ao mesmo tempo que mantém um relacionamento próximo com os Estados Unidos.

Houve o reconhecimento de que o comércio multilateral fracassou em seus objetivos, e da necessidade de reformar a Organização Mundial do Comércio (OMC). O texto final avalia que o crescimento mundial segue forte, embora esteja ficando mais desigual entre países.

Os líderes reconheceram que há questões comerciais que afetam a economia mundial, mas não falaram em aumento da tensão. Também reafirmaram a intenção de usar todos os instrumentos possíveis para se alcançar um crescimento forte, sustentável e equilibrado, trabalhando para conter riscos de piora da atividade.

O texto destaca ainda a necessidade de os países investirem em infraestrutura, sendo fundamental a atração de recursos do setor privado. Todos reconhecem que há espaço para melhora.

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, encerrou o G20 durante uma cerimônia que transmitiu a presidência rotativa do grupo para o Japão, que será sede das reuniões em 2019. Os encontros serão sediados na cidade de Osaka. A principal delas é a de cúpula, marcada para os dias 28 e 29 de junho.

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