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Ecommerce

Eleições brasileiras, dólar e e-commerce: o que os investidores precisam saber?

Especialistas em economia do EBANX abordam o cenário atual do mercado brasileiro e apontam o que podemos esperar após o período eleitoral.

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Não é exagero dizer que o Brasil está passando pelo período eleitoral mais agitado dos últimos 30 anos. São 13 candidatos disputando a Presidência da República com planos de governo e diretrizes econômicas muito diferentes entre si.

Os impactos desse período de instabilidade são percebidos, principalmente, na variação do dólar, que chegou a R$ 4,17 nas últimas semanas. No mesmo período do ano passado, a moeda estava cotada em R$ 3,15. Para o FP&A Senior Manager do EBANX e especialista em economia, Francisco Sofiati, essa oscilação não surpreende, já que o cenário interno é de relativa incerteza.

Quando a gente fala em dólar, estamos falando basicamente sobre expectativas. Estamos traçando previsões sobre o futuro. Hoje, no Brasil, o ambiente político e econômico é de certa instabilidade, o que favorece a flutuação. Mas, por se tratar de um período eleitoral, muitos elementos indicam que ela é passageira”, afirma Sofiati.

É natural que esses momentos influenciem o câmbio. Nos últimos anos, vários países passaram por processos semelhantes de instabilidade. Foi o caso do Reino Unido no auge da discussão sobre a saída do país da União Europeia (UE) – conhecido como Brexit – e dos Estados Unidos durante o período eleitoral que levou Donald Trump à Casa Branca.

O Payments and FX Manager do EBANX e também especialista em economia, Eduardo Abreu, ressalta as consequências desses períodos no câmbio. “Muitas vezes, a incerteza política e econômica de um país gera um impacto tão grande ou até maior do que a própria política cambial de um determinado governo”, salienta Abreu.

Para Eduardo, o foco das empresas nesses momentos precisa estar na potencialidade dos mercados internos. E, nesse ponto, o Brasil tem muito a oferecer.

Da crise à recuperação

Quatro anos atrás, o Brasil vivia uma situação drasticamente diferente da atual. A crise econômica de 2014 e 2015 levou o país à pior recessão de sua história. Em 2015, o recuo do Produto Interno Bruto (PIB) foi de 3,8% e o índice de inflação chegou a 10,67%, o maior desde 2002. Em 2016, ano de profunda instabilidade gerada pelo processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o PIB encolheu 3,6% e a inflação alcançou 6,29%.

O Brasil de 2018, mesmo com as incertezas do período eleitoral, pouco se parece com o cenário descrito anteriormente. Hoje, o país apresenta um desempenho mais satisfatório na economia com o crescimento do PIB, a retomada dos investimentos na Indústria e a inflação controlada e próxima da meta, garantindo maior poder de compra para os brasileiros.

Além disso, não faltam exemplos de empresas que cresceram muito no mercado do e-commerce brasileiro mesmo durante a maior recessão econômica da história do país. Só para se ter uma ideia, o número de e-consumidores ativos – aqueles que fizeram pelo menos uma compra virtual por ano – saltou de 31,2 milhões em 2013 para 55,1 milhões em 2017, de acordo com a 37ª edição do estudo Webshoppers.

Francisco lembra que, em 2015, o dólar fechou o ano em R$ 3,94 depois de ter crescido quase 50% em relação ao real no decorrer do ano. “Nos últimos cinco anos, o Brasil passou por diversos períodos de instabilidade e o dólar chegou a um patamar semelhante ao de agora. Mesmo assim, os números do e-commerce cresceram consideravelmente no país” Francisco Sofiati, EBANX.

Alguns elementos positivos do mercado brasileiro ajudam a explicar esse fenômeno. De acordo com um levantamento da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, mais de 35 milhões de brasileiros entraram na classe média entre 2002 e 2012. Esse crescimento, que não apresentou variações bruscas depois da crise econômica, ajuda a explicar por que o Brasil não é um mercado a ser ignorado.

O grande número de pessoas com acesso à internet também compõe esse caminho de sucesso dos e-commerces. Os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 116 milhões de brasileiros com mais de 10 anos estavam conectados em 2016, o que representa cerca de 65% da população.

Para Eduardo, quanto mais o empresário souber alinhar suas estratégias à situação econômica do país e ao perfil do consumidor, maiores são as chances do investimento render ótimos resultados. “Esse é o caso dos merchants que chegaram ao Brasil nos últimos anos justamente para ajudar o brasileiro a passar por momentos difíceis. Um exemplo é o Airbnb, que serve como um complemento de renda para muitas pessoas”, ele ressalta.

Esse fenômeno de crescimento em momentos de crise indicam que, mais do que se preocupar com o cenário de instabilidade política, as empresas que desejam investir no Brasil devem ter a estratégia mais precisa possível. “Algumas perguntas precisam ser feitas antes de expandir um negócio. Qual é o perfil do mercado interno? Como precificar o produto? Quais estratégias são fundamentais para chegar ao cliente? Se der certo, qual é o potencial de ganho? Os últimos anos nos mostraram que, quando esses pontos estão alinhados, o resultado pode ser muito positivo”, recomenda Eduardo.

Do Brasil para o mundo

Essa regra vale também para marcas brasileiras que desejam investir fora nesse momento de desvalorização do real. Nesse caso, o ideal é precificar o serviço ou produto em uma moeda forte. Para Eduardo, esse cuidado é fundamental para o investidor não ser afetado negativamente por esse momento de incerteza. Quanto menor for a exposição do negócio em relação à moeda, melhor. Para empresas de pequeno e médio porte, por exemplo, uma alternativa é precificar em moeda local e processar a venda em dólar, o que garante mais segurança em relação ao câmbio.

Francisco ressalta que, além da questão cambial, o perfil de consumo do país almejado é muito importante na definição da estratégia. “O merchant precisa levar em consideração o poder de compra do país em que deseja entrar. Chile, Peru e Colômbia, por exemplo, estão em uma situação econômica mais confortável, pois não estão em período eleitoral”, aponta.

O receio dos extremos

Apesar dessas seguranças que o mercado brasileiro oferece, há uma pergunta que não quer calar: as eleições de 2018 podem romper com essa trajetória de crescimento contínuo do e-commerce no país? O resultado das urnas pode levar a algum governo com orientações consideradas extremas? O Brasil pode vir a ter o seu Donald Trump ou se transformar em uma Venezuela?

Para Francisco, esses receios em relação ao país são superestimados, já que Brasil não tem a tradição de tomar decisões drásticas em relação à Economia nem mesmo em governos menos liberais. “Nas últimas gestões, tivemos grandes nomes alinhados ao mercado participando da formulação da política econômica, como é o caso de Henrique Meirelles e Joaquim Levy”, lembra.

Além desse aspecto, Eduardo lembra que o sistema político brasileiro não dá completa autonomia a um presidente. Para que medidas políticas e econômicas sejam implementadas, existe um longo caminho de tramitação e discussão na Câmara dos Deputados, no Senado Federal e, muitas vezes, nas instâncias do Judiciário. Em outras palavras, a faixa presidencial não dará superpoderes ao próximo chefe do Executivo.

São estruturas tão diferentes que comparar o Brasil com os Estados Unidos, por exemplo, acaba perdendo o sentido. Aqui, o caminho para se aprovar transformações, tanto as boas quanto as ruins, é longo. Em alguma medida, essa característica nos protege”, afirma Eduardo.

Momento passageiro

Investimento é previsão. Câmbio é expectativa. Quando se trata de um futuro incerto, é normal que investidores considerem desacelerar e repensar. É o que se vê em relação as empresas que desejam investir no Brasil e aos brasileiros que desejam expandir seus negócios para outros países.

Para Francisco, no entanto, trata-se de uma situação passageira. “A economia brasileira tem apresentado um desempenho melhor que o dos últimos anos e o Banco Central está garantindo o controle da inflação. Com o período eleitoral, a instabilidade cresce, mas não há dúvidas de que esse cenário vai passar”, afirma

Para Eduardo, apesar de ser um momento de mudanças, seria um erro desconsiderar as potencialidades do mercado de e-commerce brasileiro. E se você ainda tem dúvidas em relação a investir no Brasil, Abreu conclui sobre o cenário atual do mercado brasileiro:

Nós temos um grande poder de compra e um mercado importante. Ele existe, ele é real, nós vivemos ele. Todos os países em período eleitoral vivem incertezas, mas isso não deve paralisar os investidores. Alinhar a estratégia ao público-alvo e às necessidades dos consumidores continua sendo a melhor saída”.

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