Novo escritório do QuintoAndar em São Paulo.
Novo escritório do QuintoAndar em São Paulo. Foto; Divulgação
Tecnologia

Unicórnio QuintoAndar triplica número de funcionários e fecha 2019 com quase R$ 30 bilhões em ativos

Startup ganhou uma casa nova, com três torres, na Vila Madalena em São Paulo

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A startup QuintoAndar, um dos unicórnios brasileiros nascidos em 2019, está de casa nova: um conjunto de três torres no bairro da Vila Madalena, em São Paulo. A empresa, que começou o ano passado com 350 funcionários, agora passa dos 1,1 mil. A startup, que já se apresenta como a maior imobiliária de locação residencial do país, acaba de entrar no mercado de compra e venda e fechou o ano passado com R$ 28,9 bilhões em ativos sob sua gestão.

Diferente de uma imobiliária tradicional, o modelo do QuintoAndar não exige nenhum tipo garantia dos inquilinos (nem fiadores, nem seguro-garantia). Além disso, todo o processo de avaliação de renda e negociação do contrato é feito digitalmente, o que também ajuda a economizar tempo. Se, no geral, uma transação desse tipo leva 10 dias úteis nas principais capitais brasileiras, no QuintoAndar esse prazo cai, no mínimo, pela metade.

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Segundo o head de comunicação do QuintoAndar, José Osse, mais de 2,2 milhões de visitas foram agendadas pela plataforma da startup no ano passado. De um lado, quase R$ 350 milhões foram economizados pelos inquilinos que utilizaram os serviços da empresa e não precisaram pagar qualquer tipo de fiança. De outro, os proprietários que alugaram via QuintoAndar em 2019 economizaram, apenas em IPTU (imposto municipal cobrado em todas as cidades brasileiras) e taxa de condomínio, cerca de R$ 190 milhões.

Como isso foi possível? A desburocratização do aluguel do imóvel é a dor que o QuintoAndar quer curar no país (e na América Latina, um dia). 

A startup começou em 2012, com uma pequena operação em Campinas, cidade no interior do estado de São Paulo onde um dos fundadores, André Penha, fez sua graduação. Três anos depois de sua fundação, o QuintoAndar assinou um contrato com a seguradora BNP Paribas Cardif que a permitiu oferecer algo realmente novo: seguro-fiança grátis a inquilinos e locatários. Com isso, a startup passou a analisar, por conta própria, o crédito do tomador do aluguel e a aprová-lo em tempo recorde: três dias úteis.

Os R$ 250 milhões recebidos em novembro de 2018, em uma rodada liderada pelo fundo norte-americano General Atlantic, com a participação dos investidores anteriores, Kaszek Ventures, Qualcomm Ventures e QED, foram decisivos para dar escala à startup, que chegou a 25 cidades depois disso.

Foi essa escala que chamou a atenção de gigantes, como o fundo japonês SoftBank, que liderou um aporte de US$ 250 milhões no QuintoAndar em setembro do ano passado, alçando a startup ao status de unicórnio.

Em 2019, o QuintoAndar manteve seu ritmo acelerado de expansão, chegando a mais de 30 cidades, em 9 das principais regiões metropolitanas do país

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A entrada do QuintoAndar no mercado de compra e venda

Em novembro de 2019, a startup anunciou sua entrada no segmento de compra e venda de imóveis. Os testes começaram para valer em dezembro, em São Paulo, com o cadastro de imóveis de proprietários interessados em participar da nova operação. Agora em janeiro, os primeiros anúncios foram postados na plataforma, permitindo que compradores fizessem buscas, marcassem visitas e enviassem suas primeiras ofertas.

José Osse, head de comunicação da QuintoAndar
Foto: Divulgação/QuintoAndar

Além de cadastrarmos mais de 1000 imóveis em menos de um mês após a abertura da plataforma para oferta, registramos cerca de 500 mil buscas nos 15 dias desde a publicação dos anúncios para compradores.

José osse, head de comunicação do QuintoAndar.

Corretores e imobiliárias como parceiros, não inimigos

Em comparação com o seu início, quando o QuintoAndar era chamado de “Uber das imobiliárias” e parecia representar o fim da intermediação em um setor tão tradicional, muita coisa mudou. A startup não revela o número de corretores e fotógrafos que trabalham para a plataforma, mas já tem mais de 15 imobiliárias na condição de parceiras–e está usando aporte liderado pelo SoftBank na ampliação desse número.

Em 2019, a companhia pagou R$ 30 milhões em comissões para seus corretores parceiros e R$ 4,4 milhões em incentivos para os participantes dos programas de afiliados IndicaAí e Parceiros da Portaria.

Concorrência?

Mal o ano começou, e o primeiro unicórnio brasileiro de 2020 foi justamente uma startup da área imobiliária: a Loft, focada na compra, reforma e venda de imóveis. Ainda em 2019, a imobiliária moderninha Vitacon lançou uma spin-off chamada Housi, que oferece aluguel sob demanda e gestão de serviços residenciais.

Embora uma possa entrar, em breve, no segmento da outra, ampliando modelos de negócio, o surgimento ou a ascensão de empresas do ramo, só confirma o quanto o mercado imobiliário brasileiro precisa de uma revolução. 

“O mercado residencial brasileiro é extremamente grande e comporta vários players. Nós mesmos já somos a maior imobiliária residencial do país e, ainda assim, frente o tamanho do mercado, ainda tem muito espaço para crescermos. É sempre bom ter outras empresas no mercado, mesmo que com modelos e negócios diferentes, pois isso deixa todo mundo mais atento e focado o que, no fim, é bom para nós, para os concorrentes e, principalmente, para os clientes”, diz Osse.