Foto: Rocket.chat/Divulgação
Tecnologia

Trabalho remoto aumenta o uso de ferramentas como Zoom, Slack e Rocket.chat

Como resultado da pandemia de coronavírus, as ferramentas organizacionais e de comunicação estão vendo seu uso crescer. A Rocket.chat conversou com o LABS sobre esse momento

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À medida que novos casos de coronavírus se aproximam da estabilização na China, permitindo ao país retomar gradualmente sua atividade econômica, a Europa, o novo epicentro da doença, e as Américas vêem o COVID19 se espalhar exponencialmente. Uma das medidas adotadas voluntariamente nos Estados Unidos e na América Latina para combater o rápido avanço do novo coronavírus foi a implementação do trabalho remoto por startups e empresas de base tecnológica em geral. Como resultado, os provedores de banda larga, os serviços de gerenciamento e armazenamento em nuvem, bem como as ferramentas organizacionais e de comunicação estão vendo seu uso e o número de novos clientes crescendo de maneira impressionante.

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A Rocket.chat, uma plataforma de código aberto de colaboração em equipe com mais de 350 mil clientes em todo o mundo, disse ter tido um aumento 30% no uso da ferramenta nas últimas duas semanas. Na segunda-feira (16), em particular, a empresa registrou um crescimento de mais de 130% nos acessos a sites, além de um alta superior aos 100% nas instalações e testes da ferramenta.

A Rocket.chat foi fundada pelo brasileiro Gabriel Engel em 2015 e é uma dos principais concorrentes de código aberto do software Slack. No Brasil, a empresa possui clientes como o banco estatal Caixa Econômica Federal, a Samsung e o provedor de soluções de negócios TOTVS. Fora do Brasil, a Rocket.chat também fornece ferramentas para Nokia, a Boeing, a Marinha dos EUA, entre outras.

A plataforma foi criada a pedido dos clientes da Konecty, uma startup que Engel também ajudou a fundar. Eles queriam que a empresa criasse um recurso de bate-papo para o aplicativo de relacionamento com o cliente. Com o tempo, a ideia ganhou vida própria.

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Como uma plataforma criada para o trabalho remoto e originalmente com cerca de 50% da equipe trabalhando dessa maneira, o Rocket.chat também levou 100% de seus funcionários para o home office nas últimas semanas.

“O fato de termos gerenciado tudo isso por meio de nossa própria plataforma de colaboração facilitou muito a transição para 100% do home office em comparação com as empresas que tiveram que fazer isso do zero. Além disso, criamos um canal especial em nossa plataforma para informar diariamente funcionários sobre os pontos mais relevantes da situação no mundo e fornecem orientações sobre as melhores práticas para tempos difíceis como esse”, disse Otávio Torres, head de People da Rocket.chat, ao LABS.

Otávio Torres, head de People da Rocket.chat. Foto: Rocket.chat/Divulgação.

As ações do Zoom Video Communications são uma das poucas até agora imunes ao colapso no mercado de ações. De acordo com o Investors Daily, embora o índice Dow Jones tenha caído até 33% em relação à alta de fevereiro, as ações da empresa encontraram suporte em seu ponto de compra recente. Ao longo do ano, as ações da empresa subiram 74%, enquanto o S&P 500 caiu 21%, no maior movimento de venda desde a crise financeira de 2008.

Na quarta-feira (18), o Zoom Cloud Meetings liderou os downloads nas lojas de aplicativos móveis da Apple e do Google nos EUA, à frente da Netflix ou do TikTok. Na terça-feira (17), o CFO do Zoom, Kelly Steckelberg, contou à CNBC como a empresa está lidando com o aumento da demanda por seus serviços online. De acordo com Steckelberg, a equipe de operações de engenharia do Zoom vem adicionando servidores e outros equipamentos em cada um dos 17 locais de data center da empresa. Mais dois estarão disponíveis nesta semana ou na próxima semana, disse ela à CNBC.

A idéia é que, se um dos locais estiver inundado de tráfego de rede, ele poderá enviar a carga para os outros. “Em geral, arquitetamos nossos data centers e os construímos para que funcionem com 50% da capacidade de pico”, disse Steckelberg à CNBC.

O Zoom também aumentou sua capacidade com seus dois provedores de infraestrutura de nuvem: AWS da Amazon e Azure da Microsoft. Assim como a Amazon nos Estados Unidos, a empresa está contratando mais engenheiros e vendedores em meio à crise.

Ao contrário do Zoom, o Slack ainda não é uma empresa lucrativa. Ainda assim, a empresa também tem visto suas receitas crescerem (49%, para US $ 181,9 milhões no trimestre encerrado em 31 de janeiro, em comparação ao ano anterior). O problema é que a projeção da empresa para o trimestre atual e o ano fiscal completo ficou abaixo das estimativas dos analistas. Para eles, o coronavírus poderia oferecer a oportunidade para que a empresa finalmente atinja massa crítica e chegue ao break even, ou seja, comece a lucrar, mas isso não foi considerado nas últimas diretrizes divulgadas pela empresa. As ações do Slack caíram 20% na última quinta-feira (12) após a divulgação dos resultados do último trimestre.

Enquanto o número total de clientes pagos do Slack aumentou 25%, para 110.000 no último trimestre fiscal, apenas um pouco mais de 800 deles gastavam mais de US$ 100.000 anualmente. A saída para a empresa dar lucro, acreditam os investidores, está aí: conquistar clientes maiores que pagam de maneira recorrente. Comparado ao ano anterior, esse número já cresceu 55%, mas é preciso fazer mais. A empresa não divulgou dados sobre o uso de sua ferramenta no meio da epidemia.

O Microsoft Teams, outro concorrente do ramo, também não está bem aos olhos dos investidores. Isso ocorre porque o serviço da Microsoft caiu quando as pessoas começaram a trabalhar em casa devido ao surto de coronavírus nos EUA, disse o TechCrunch esta semana.