Tecnologia

QuintoAndar já está em 25 cidades brasileiras e tem planos para a América Latina em 2020

A startup é a mais nova unicórnio da América Latina

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Qualquer pessoa que já precisou alugar um imóvel para morar no Brasil sabe que esta é uma das tarefas mais ingratas que existem. Normalmente, quem não tem um fiador, precisa pagar de dois a três meses de aluguel adiantados ou adquirir um seguro-fiança que custa 12% do contrato anual, em média. Além disso, o processo todo costuma ser demorado, cerca de dez dias úteis. Foi essa a dor que inspirou a fundação do QuintoAndar pelos brasileiros André Penha e Gabriel Braga.

A startup começou em 2012, com uma pequena operação em Campinas, cidade no interior do estado de São Paulo onde Penha fez sua graduação. Três anos depois de sua fundação, o QuintoAndar assinou um contrato com a seguradora BNP Paribas Cardif que a permitiu oferecer algo realmente novo: seguro-fiança grátis a inquilinos e locatários. Com isso, a startup passou a analisar, por conta própria, o crédito do tomador do aluguel e a aprová-lo em tempo recorde: três dias úteis. 

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Os R$ 250 milhões recebidos em novembro de 2018, em uma rodada liderada pelo fundo norte-americano General Atlantic, com a participação dos investidores anteriores, Kaszek Ventures, Qualcomm Ventures e QED, foram decisivos para dar escala à startup. De lá para cá, o QuintoAndar saltou de 500 para 1 mil funcionários, e de três para 25 cidades brasileiras, incluindo as capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Goiânia, Porto Alegre, Curitiba e Florianópolis.

Foi essa escala que chamou a atenção de gigantes, como o fundo japonês SoftBank. Neste mês de setembro, o QuintoAndar anunciou uma rodada liderada pelo fundo na qual levantou US$ 250 milhões e foi avaliada em mais de US$ 1 bilhão.

Segundo o gerente regional do QuintoAndar, Arthur Malcon, o montante será usado, basicamente, para a expansão da empresa no Brasil, com o desenvolvimento de novos produtos e serviços e a contratação de talentos para o nível de liderança do QuintoAndar, além do investimento constante em tecnologia (só em 2019, já foram R$ 70 milhões aplicados nisso).

Em comparação com o seu início, quando o QuintoAndar era chamado de “Uber das imobiliárias” e parecia representar o fim da intermediação em um setor tão tradicional, muita coisa mudou. A startup não revela o número de corretores e fotógrafos que trabalham para a plataforma, mas informa que já tem 15 imobiliárias na condição de parceiras–e pretende usar o novo aporte também na ampliação desse número.

Foto: Divulgação.

Enquanto nós aceleramos nossa taxa de crescimento, elas [as imobiliárias] tiveram aumento de mais de 30% no número de contratos assinados por mês em relação ao que faziam antes de se unirem ao QuintoAndar.

Arthur Malcon, gerente regional do QuintoAndar.

Não basta alugar mais rápido

Neste ano, o QuintoAndar lançou um projeto-piloto no qual custeia a reforma do imóvel antes de colocá-lo para locação. Emprestando a lógica de produção própria dos serviços de streaming, o serviço foi batizado de QuintoAndar Originals. “Hoje, alugar já é dez vezes mais rápido pelo QuintoAndar do que pelo modelo tradicional. A etapa seguinte foi olhar para a qualidade dos imóveis para trazer opções únicas para nossos clientes, melhorando ainda mais a sua experiência de moradia”, disse Malcon.

Por enquanto, o programa está concentrado no Centro Expandido de São Paulo e contempla imóveis de até 100 metros quadrados.

Outro ponto de atenção importante no radar da startup é a expansão para além das fronteiras brasileiras. O QuintoAndar sabe que tem um modelo de negócio pronto para isso. “Muitos [dos países emergentes] têm pontos de dor parecidos com os que temos por aqui e fazem sentido para nós. (…) Este é um assunto sobre o qual devemos ter novidades no ano que vem”, disse o gerente regional.