Os fundadores Bart Sturm, Raphael Coelho e Thomas Machado, na sede da edtech TutorMundi, em São Paulo. Foto: Divulgação
Tecnologia

Brasileira TutorMundi figura na lista das edtechs mais inovadoras da América Latina

Relatório da plataforma de inteligência HolonIQ reuniu as 100 startups de educação mais inovadoras da região

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A plataforma global de inteligência educacional HolonIQ publicou, nesta última semana, sua mais recente edição do LATAM Edtech 100, relatório que analisou informações de mais de mil e quinhentas organizações ligadas a atividades educacionais na América Latina para elaborar a lista das cem mais inovadoras. Entre elas, está a edtech brasileira TutorMundi, que se destacou na categoria Tutorias e Preparação para Testes.

“No começo do ano já tínhamos boas expectativas de expansão. Só no primeiro trimestre de 2020 crescemos 100%, justamente em um cenário extremamente desafiador na economia mundial. Estar em uma lista como a do HolonIQ é sinal que estamos no caminho certo”, diz Raphael Coelho, CEO do TutorMundi. O aplicativo de tutoria online conecta alunos dos ensinos fundamental e médio com estudantes universitários para tirar dúvidas. “Os tutores se cadastram na plataforma e passam por um processo seletivo, avaliações que exigem 80% de aproveitamento e treinamento de comportamento digital, em que precisam atingir 100%”, conta o executivo em entrevista ao LABS.

O setor das startups de educação é um mercado que atrai maior volume de capital a cada ano. Enquanto as edtechs começaram a década passada com US$ 500 milhões em venture capital, essa cifra chegou a 2019 catorze vezes maior, batendo a cifra de US$ 7 bilhões em investimentos, segundo dados da HolonIQ. Nos próximos 10 anos, a plataforma estima que mais de US$ 87 bilhões sejam investidos no setor. 

Em número de empresas, só Beijing já conta com 3000 edtechs, enquanto Nova York possui cerca de 1000 startups. No Brasil, o número é mais tímido, mas também cresce: segundo o mapeamento da ABStartups de 2020, o país tem 449 edtechs ativas, contra 364 em 2018. 

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Os fundadores Bart Sturm, Raphael Coelho e Thomas Machado. Foto: Divulgação

Com um chat desenvolvido 100% em casa, o aplicativo do TutorMundi permite que o aluno tire e envie uma foto da questão, e, baseado no perfil do estudante e no nível de dificuldade da dúvida, a plataforma identifica o tutor mais adequado. Coelho conta que em 80% dos casos em que o aluno insere uma dúvida, a plataforma o conecta com um tutor em menos de 5 minutos. Com atendimento disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana, a plataforma conta com dois mil tutores de universidades de renome, como ITA, USP e Unicamp. Em operação no Brasil, o CEO do TutorMundi, no entanto, afirma que a expansão para a América Latina está nos planos. 

“Existem players de tutoria sob demanda assim como o TutorMundi em todo o resto do mundo, exceto na América Latina.” Para Coelho, a expansão para a região é um caminho natural uma vez que os sistemas de ensino entre os países se assemelham: segundo o executivo, cerca de 20% das escolas no Brasil e na América Latina são privadas, além do modelo de ingresso na universidade também ser análogo, uma vez que alguns países, assim como o Brasil, também adotam exames para acesso ao ensino superior.

Por ora, o plano é dominar o mercado brasileiro de tutoria online nos ensinos médio e fundamental e atingir três milhões de alunos nos próximos cinco anos. Já quando o assunto é expansão internacional, México é o primeiro país na mira da startup. Hoje, o TutorMundi chegou a cerca de 70 mil alunos, 100 mil dúvidas postadas e mais de 1 milhão de minutos utilizados.

As escolas passaram a perceber que o ensino agora será híbrido e isso é algo que mudou para sempre. 

Raphael Coelho, CEO do TutorMundi.

Tecnologia não é barreira

Sem exigir integração com os sistemas das escolas, o aplicativo do TutorMundi é disponibilizado para os alunos baixarem em menos de 24h da assinatura do contrato por parte da instituição de ensino. “Essa [tecnologia] é uma barreira que nós nunca enxergamos, desde o início da concepção do produto. Justamente por entender que essa barreira existia, nós focamos no aprendizado através de chat. Fizemos validações, colocamos crianças de 7 a 18 anos para aprender via chat e o resultado foi surpreendente,” relembra Coelho. “A gente percebeu que desde que funcione o Whatsapp, vai funcionar o TutorMundi.”

Segundo o executivo, por uma questão didática, o aplicativo também permite o envio de mensagens de voz, imagens e vídeos, “mas sempre mensagens, e a gente comprime tudo pra ficar leve pra mandar”. As escolas do portfólio da edtech conseguem acessar relatórios individualizados das principais dificuldades dos alunos e acompanhar o processo de aprendizagem de forma sistemática, o que facilita a gestão pedagógica. Os contratos da edtech são primordialmente com escolas particulares, mas Coelho conta que a startup já vem sendo contactada por algumas secretarias de educação pública.

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“Nas duas primeiras semanas seguintes ao anúncio da interrupção das aulas foi quando tivemos o maior crescimento. Depois, houve uma estabilidade, porque as pessoas provavelmente acharam quais seriam os métodos que utilizariam durante esse período,” conta o executivo, em referência a meados de março, início da suspensão de aulas presenciais nas escolas brasileiras em função da pandemia do coronavírus. “Agora está vindo um novo crescimento, porque estão se dando conta de qua a pausa foi maior do que haviam projetado.” Coelho relata que a procura pelo TutorMundi por escolas e instituições ligadas à educação cresceu cerca de 1000% no período.

Em atividade desde 2016, a edtech levantou em torno de US$1,3 milhão, em aportes encabeçados pelo grupo Wharton Angels, de São Francisco. No início, o executivo conta que viajava do Rio de Janeiro a Santa Maria, no Rio Grande do Sul, para abordar as pró-reitorias de extensão das universidades. “Depois que os primeiros tutores entraram, foram recomendando uns aos outros.” Os universitários que se cadastram na plataforma como tutores recebem de R$15 a R$50 por hora, mas para Coelho, também ganham em retenção e aprofundamento do conhecimento.

Brasileiras no radar

Além do TutorMundi, o levantamento da HolonIQ também destacou outras edtechs brasileiras nas demais sete categorias. Entre elas, a Descomplica, também na área de Tutorias e Preparação para Testes, MindLab (Recursos e Experiências Educacionais), Mundo 4D (Tecnologia Steam e Programação), Beetools (Aprendizado de Línguas), Provi (Financiamento da Educação), Geekie (Ambientes de Aprendizagem), Quero Educação (Sistemas de Gestão) e EduK (Habilidades para o Trabalho). Confira a lista completa das cem edtechs mais inovadoras da América Latina no link.