Foto: Liv Up/Cortesia
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O negócio que deu certo na pandemia: Liv Up espera crescer 3 vezes em relação a 2019

A startup brasileira de alimentação saudável Liv Up tem entregado cerca de 300 mil refeições todo o mês e cresce 3 vezes ao ano

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A startup brasileira de alimentação saudável Liv Up tem entregado cerca de 300 mil refeições todo o mês e visto o faturamento aumentar pelo menos 3 vezes a cada ano. A expectativa deste crescimento não mudou com a pandemia, mas trouxe a responsabilidade de dividir os ganhos com aqueles que tiveram perdas. 

Stella Brant, CMO e sócia da Liv Up. Foto: Liv Up/Cortesia

Desde quando a empresa nasceu em 2016 com a proposta de entregar refeições saudáveis, ela fomenta doações sustentáveis de apoio ao desenvolvimento. A marca da Liv Up está baseada em comidas saudáveis, ultracongeladas, com ingredientes orgânicos fornecidos por parcerias com 25 famílias de pequenos produtores.

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Stella Brant, nova sócia e CMO da startup, contou ao LABS que essa relação com agricultores traz valor para os produtores, não só pela compra garantida dos alimentos mas também por um preço justo e competitivo, que é pago antes mesmo de a empresa comprar os alimentos. Segundo a empresária, quando a Liv Up começou a comprar dos pequenos produtores, a renda deles aumentou em mais de 50%. 

Parceiros da Liv Up: pequenos produtores. Foto: Liv Up/Cortesia

“Traz uma tranquilidade e uma relação que é tão saudável. Eles veem uma segurança que faz com que eles queiram investir mais na próxima safra e contar com a empresa até em um momento crítico como esse”, conta, ressaltando que alguns agricultores forneciam para escolas que, fechadas por conta da pandemia do coronavírus, não tinham como escoar a produção de um produto que iria estragar. Com as escolas fechadas, em duas semanas a Liv Up colocou um novo produto à venda no site: uma cesta de orgânicos.

Cesta de orgânicos foge um pouco do que é o DNA da marca, que são refeições, mas ao mesmo tempo também é coração da marca, que é o alimento orgânico. A gente não mediu esforços para colocar um produto novo à venda para garantir que esse alimento não estragasse e ajudar o produtor

Stella Brant, sócia e CMO da LIV UP

Mais do que isso, a empresa incentivou os produtores a plantarem mais para ajudar no combate à fome. “Esse privilégio que a gente tem de estar crescendo é o tamanho da nossa responsabilidade de também ser parte dessa solução”, diz. A empresa está doando mais de uma tonelada de alimentos por semana para famílias em situação de vulnerabilidade social em São Paulo. A startup doou mais de 5 toneladas, mas o objetivo é chegar a 100 toneladas até o final do ano por meio de ONGs que ajudam a fazer com que esse alimento orgânico chegue nas comunidades, como a Gerando Falcões

Parceiros da Liv Up: pequenos produtores. Foto: Liv Up/Cortesia

Como que uma empresa que se propõe a levar uma alimentação saudável para cada vez mais pessoas poderia ficar fora de uma necessidade ainda agora, que é o combate à fome?

STELLA BRANT, SÓCIA E CMO DA LIV UP

O tíquete médio do pedido de cada cliente da Liv Up gira em torno de R$ 240 e o tíquete médio de cada refeição em torno de R$ 24. De acordo com a CMO, 86% dos legumes e vegetais fornecidos pelos produtores são orgânicos. O que não é orgânico, é feito organicamente mas ainda não tem a certificação. “A gente dá muito apoio para os agricultores seja com a possibilidade de adiantamento de crédito ou até auxílio técnico em agronomia para dar suporte para que eles consigam ter essa certificação”, afirma.

O fardo da pandemia que afetou muitos negócios não acertou a Liv Up

A Liv Up é uma empresa verticalizada que trabalha toda a cadeia da alimentação, desde o contato com o produtor até a entrega na casa do consumidor. A ideia surgiu para vender comida saudável, e que poderia ser complexa de ser feita em casa, congelada, por encomenda planejada. “A empresa vem crescendo muito ano após ano mostrando que não só as pessoas querem se alimentar bem como o negócio funciona, no sentido de trazer valor para a cadeia como um todo, que era uma premissa da startup quando foi criada”, conta. 

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Parceiros da Liv Up: pequenos produtores. Foto: Liv Up/Cortesia

Atualmente, o modelo de compra planejada com refeições congeladas está em centros de distribuição da empresa em 40 cidades do Brasil e dependendo da região a entrega pode ser no mesmo dia ou em até dois dias, a depender da demanda. No final do ano passado, a foodtech lançou o delivery através de cloud kitchen em São Paulo, ou seja, um restaurante apenas delivery para comida pronta entrega.

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A empresa também lançou o Salad Stories, que é um restaurante focado em saladas proteicas como refeições e não acompanhamentos. “É um projeto que nos dá muito orgulho tanto por contar histórias desses produtores através da comida que é feita com receitas disruptivas no ponto de vista de combinações. Por exemplo, o presunto parma da salada é feito por sete mulheres do interior de São Paulo, cada salada tem uma história”. Nos próximos dias, a Liv Up deve lançar ainda um especial de sopas. 

Parceiros da Liv Up: pequenos produtores. Foto: Liv Up/Cortesia

Na cloud kitchen, não há um salão para receber pessoas, apenas a equipe de entrega. Por esse motivo, a pandemia não impactou tanto o caixa da Liv Up, já que não há um restaurante físico. Além disso, a demanda por comida saudável cresceu na pandemia, segundo Brant, seja porque as pessoas estão preocupadas em manter uma boa imunidade, seja para compensar a falta de exercícios.

“A gente não sofreu com a pandemia, pelo contrário, a gente cresceu. E a gente continua crescendo muito, não só por causa da pandemia”, conta, complementando a pandemia acelerou algumas tendências que já eram claras do consumidor como a alimentação saudável, a digitalização, e o conhecimento da origem do se está consumindo.

Em um momento de quarentena quando as pessoas estão isoladas, a startup conseguiu fazer a marca se tornar relevante, reportando agradecimentos emocionados de pessoas que estão isoladas da família, mas que fazem pedidos para entrega aos familiares para consciência de que eles estão se alimentando bem. “A Liv Up tem não conhecedores ou amantes. A gente dificilmente vê alguém no meio do caminho”, afirma. 

Liv Up cresce no isolamento

A expectativa da Liv Up já era triplicar seu faturamento, com pandemia ou sem pandemia. O crescimento fez com que a empresa lançasse um aplicativo recentemente, que, segundo a CMO, está cada vez mais ganhando proporção e crescendo em relação ao impacto do negócio, que antes só vendia pelo site. A empresa teve 32% de crescimento das vendas pelo aplicativo no último mês.

“Falam de mobile-first, mas a verdade é que é mobile-always. Por mais que as pessoas estejam em casa e o nosso público tenha acesso à computador e internet, a vida acontece muito no celular”, comenta. 

A Liv Up já passou por quatro rodadas de investimento e o total de investimentos que a empresa recebeu até hoje foi de R$ 100 milhões, só na última, em setembro de 2018, levantou R$ 90 milhões e deve ter novas rodadas em breve, já que, segundo Brant, “a atratividade do negócio tem se mostrado grande”. A foodtech entrou recentemente na lista de 100 marcas mais lembradas no Brasil. 

Hoje a empresa tem pouco mais de 500 funcionários e continua contratando, mesmo em home office, embora Brant ressalte que a startup apertou os cintos e analisou os custos que poderiam ser economizados sem perder a capacidade de continuar crescendo. “Estamos sim com uma consciência grande com o caixa porque é uma enorme preocupação para todo mundo e mais ainda para startups, que não tem um bolsão tão grande. As economias foram feitas onde podiam ser feitas e onde não seriam críticas para o desenvolvimento do negócio. Ao mesmo tempo com uma mentalidade de exponencialidade para o que a gente pretende para os próximos anos e que tem que ser construído desde já”.