Público na Money20/20 Europa de 2019
Negócios

Por que a América Latina virou destaque na Money20/20

Pela primeira vez, a maior conferência global sobre a indústria de pagamentos e fintechs, que acontece na semana que vem em Las Vegas, terá uma programação exclusiva sobre a América Latina

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Todos os olhares estão voltados para Las Vegas. A partir deste domingo (27), a cidade norte-americana será a casa da Money20/20, o principal evento global da indústria financeira e de pagamentos. Mais de 3.000 participantes são esperados para debater o futuro do dinheiro e o ecossistema de fintechs no mundo. E muitos desses olhares estarão focados em um lugar: a América Latina e seu enorme potencial de negócios.

Pela primeira vez em oito anos, a conferência terá uma trilha de painéis exclusivamente dedicados à América Latina. No palco, convidados irão falar das transformações do setor bancário na região, do surgimento de fintechs e unicórnios latino-americanos e das oportunidades de um mercado que já possui mais usuários de internet do que os Estados Unidos.

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Nos últimos tempos, a América Latina se tornou a menina dos olhos de muitos investidores. Serviços financeiros e a indústria de tecnologia têm se desenvolvido rapidamente: a região é um dos mercados digitais que mais cresce no mundo, e vem atraindo bilhões em investimentos de fundos de venture capital, como o SoftBank

“Num contexto em que nossas vidas se tornam digitais, e o tradicional sistema bancário tem baixa penetração, a oportunidade [de negócios] é exponencial”, comenta Sanjib Kalita, porta-voz e editor-chefe da Money20/20, em entrevista ao LABS

Ele lembra que boa parte da América Latina viveu uma relativa estabilidade nos últimos anos, e que isso tem aumentado o interesse de investidores pela região. “Há milhões de pessoas que estão buscando melhorar suas vidas nesses países, e isso deve levar a um forte crescimento econômico. Desde nosso primeiro evento, em 2012, a Money20/20 tem procurado seguir e destacar os acontecimentos mais animadores e transformadores da indústria.” É natural que a América Latina, nesse contexto, se torne um destaque na conferência deste ano.

O que se pode aprender com a América Latina

A programação sobre a América Latina está concentrada no primeiro dia da Money20/20. Líderes convidados subirão ao palco para falar sobre as melhores soluções de pagamento para a região, a disrupção nas indústrias de investimento e bancária desses países, e o surgimento e características das principais fintechs latino-americanas.

Executivos do Brasil, México, Colômbia e Argentina, de companhias como Clip e dLocal, estarão no palco para dividir suas experiências.

De acordo com Kalita, em geral, as fintechs latino-americanas têm “um grande apetite para tentar a sorte e fazer algo novo”. Empresas como Stone, MercadoLibre, EBANX e Nubank (todas elas, unicórnios) estão construindo sua estratégia de negócio em cima de problemas que os latino-americanos encaram no dia-a-dia — como a dificuldade de acessar serviços bancários, taxas financeiras elevadas e crédito caro.

“Tudo isso pode ser usado como um teste para fazer melhorias no status quo”, diz Kalita.

Levar essas experiências ao palco da Money20/20 é uma oportunidade, segundo ele, de promover sinergia entre diferentes atores e empresas da indústria de pagamentos, além de expandir oportunidades de negócios. 

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“Historicamente, muitas pessoas das áreas de finanças e negócios da América Latina tendem a não olhar para fora e se relacionar apenas com suas panelinhas. O que a indústria já reconheceu, porém, é que o crescimento deste mercado no futuro virá para além deste clube”, diz Kalita.

Não por acaso, bancos e companhias financeiras tradicionais — não apenas na América Latina, mas em todo o mundo — têm se aberto para parcerias com fintechs e criado spinoffs, expandindo o acesso a serviços financeiros e, em última instância, melhorando a qualidade de vida de milhões de pessoas. As fintechs e empreendedores da América Latina estão no centro deste movimento — e prontos para dividir a sua experiência na Money20/20.