Parece a entrada de outlets de venda de Orlando nos EUA, mas é o Madalosso, o maior restaurante da América Latina. Foto: Shutterstock
Negócios

Maior restaurante da América Latina sugere drive-in para continuar operando ao preservar distanciamento social

Lorenzo Madalosso, sócio do restaurante brasileiro, contou ao LABS sobre as opções de manutenção do serviço em meio à pandemia

Read in english

Maior restaurante da América Latina, o Madalosso, localizado em Curitiba, reabriu nesta terça-feira após manter as portas fechadas por dois meses para impedir a propagação do coronavírus. O local de comida italiana, capaz de atender 4 mil pessoas ao mesmo tempo, planeja agora oferecer drive-in, drive-thru e entregas para continuar prestando serviços em meio à pandemia. Com as novas ideias, a empresa espera manter 40% do faturamento regular pré-crise.

Pessoas na frente do Madalosso antes da pandemia. Foto: Shutterstock

O restaurante Madalosso é um ponto turístico. Foi fundado por imigrantes italianos na cidade do sul do Brasil. Mas, devido à pandemia de coronavírus no país, onde anteriormente havia grandes estacionamentos e mesas cheias de famílias, por 60 dias havia salões vazios. Pela primeira vez em seus 57 anos de história, o segundo maior restaurante do mundo foi fechado no Dia das Mães, quando o movimento é mais alto.

Antes da pandemia, cerca de 60 mil refeições mensais eram servidas ali – a receita bruta advinda apenas das refeições, excluindo bebidas, eventos, sobremesas e outros extras, era de quase R$ 2,7 milhões por mês.

LEIA TAMBÉM: Estúdio de música aposta em ritmos latino-americanos com toque britânico

Por dois meses, os salões do Madalosso estiveram irreconhecíveis: seus espelhos, que dão a impressão de ainda mais pessoas sendo atendidas, ampliavam o vazio. Enquanto isso, os profissionais da saúde continuam combatendo um vírus ainda pouco conhecido, e que já matou 17.375 pessoas no país.

Cadeiras para cima no Madalosso vazio durante a pandemia. Foto: Madalosso / Cortesia

“A pandemia não é simples. Quando vimos que estava prestes a chegar ao Brasil, estávamos preparados para fechar para preservar clientes e funcionários. Não podíamos continuar trabalhando em um ambiente em que não tínhamos certeza de sua segurança”, explica Lorenzo Madalosso , um dos gerentes do Madalosso.

Como a COVID-19 obrigou a fechar restaurantes da Áustria até a Zâmbia, o Madalosso foi um dos primeiros restaurantes em Curitiba, a oitava maior cidade do Brasil, a fechar. Apesar da perda financeira, Lorenzo acredita que o fechamento foi a decisão certa. Agora, os restaurantes Madalosso reabrem com cautela, sem receber um grande número de clientes. “Nesse período de fechamento, aproveitamos a oportunidade para tornar nosso ambiente seguro, tanto para funcionários quanto para clientes. Se houver mais clientes do que aquilo que conseguimos atender, nós os recusaremos, teremos um limite estabelecido”, afirma.

LEIA TAMBÉM: Investimento em inovação e digitalização oferece a única saída fortalecida da crise

O empresário diz que estudou várias opções para se adaptar à nova realidade trazida pelo vírus. Uma das ideias era o drive-in, o cinema visto de carros, muito popular na década de 1950 e que agora está voltando na Argentina, nos Estados Unidos e na Europa como forma de entretenimento, atendendo aos padrões sociais de distanciamento.

O Madalosso viu no drive-in a oportunidade de aproveitar o amplo estacionamento do restaurante enquanto servia a famosa mandioca frita com refrigerante. A ideia começou como um projeto de caridade, pois o ingresso seria uma doação, revertida para uma campanha de solidariedade.

Uma fila em frente ao Madalosso antes da pandemia. Foto: Shutterstock

“Como vemos que a pandemia pode durar um longo prazo, não temos tanta pressa em lançar o drive-in, mas queremos lançá-lo da maneira certa, com leis consistentes, para que respeite todas as regras de segurança e em conformidade com o que as autoridades solicitam”, afirma. Madalosso ainda negocia com a prefeitura de Curitiba as regras para a autorização do evento. “A distância entre os carros, o uso de máscara, proibição de sair do carro, a menos que seja para ir ao banheiro, limite do número de veículos. Várias regras foram criadas para preservar a saúde do cliente”, acrescenta.

O conceito de drive-thru também pode chegar ao restaurante tradicional, segundo Lorenzo, já que o modelo está recebendo alta demanda. O Madalosso nunca ofereceu entregas, mas também é algo proposto agora. “Temos um projeto de entrega pronto para lançamento”, diz ele.

O parceiro também aposta na Rotisseria, que oferece massas prontas do restaurante, congeladas para a venda. Madalosso explica que, mesmo com essas iniciativas, a expectativa é ganhar muito menos do que antes da pandemia e que a ideia é se ajustar ao longo do tempo.

Nosso objetivo hoje, mais do que manter os negócios, é manter os funcionários. Com tudo isso que estamos montando, a expectativa é alcançar 40%, 30% dos ganhos regulares

lorenzo madalosso, sócio do restaurante madalosso

O restaurante demitiu cerca de 5% da equipe. Agora tem 300 funcionários. Mas, segundo ele, as demissões já estavam programadas para acontecer. “Quem não é visto, não é lembrado e quem não está se adaptando, não será lembrado”, ressalta. Para o empreendedor, durante a crise, o cliente deve saber que o restaurante está lá, oferecendo opções aos consumidores.

Mesmo se não tivermos lucro agora, sabemos que quando voltarmos o cliente se lembrará de nós. As pessoas vão se lembrar de como as empresas se comportaram durante a crise.

LORENZO MADALOSSO, SÓCIO DO RESTAURANTE MADALOSSO