João Miranda, fundador e CEO da Hash. Foto: Hash/Cortesia
Negócios

Conheça a Hash, a fintech brasileira que ajuda outras empresas a se tornarem fintechs

A empresa espera transacionar R$ 500 milhões até o fim deste ano, mais de três vezes o montante de 2019, mesmo em meio à crise da COVID-19

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A startup brasileira Hash está aproveitando a ‘fintechrização’ de diferentes setores para construir um novo mercado. A startup conecta empreendedores e clientes através de uma plataforma capaz de transformar grandes empresas em provedoras de serviços financeiros.

Fundada em 2017, a empresa sediada em São Paulo colocou todos os seus 56 funcionários em trabalho remoto em 12 de março, devido à pandemia de coronavírus. Também interrompeu a distribuição de terminais POS aos seus clientes, uma vez que o fabricante do equipamento suspendeu a produção do dispositivo. Mas em meio à crise, recebeu a notícia de que foi selecionada, com mais 15 startups, para o programa Scale-up B2B da Endeavor. Serão cinco meses de aprendizado e trabalho intenso, e que podem levar a fintech a um novo patamar.

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Em conversa com o LABS, o fundador e CEO da Hash, João Miranda explicou que no começo da pandemia a empresa teve uma estratégia de congelar gastos, mas agora está retomando contratações para continuar escalando. “Acho que até o final do ano a gente vai conseguir lançar projetos interessantes”, diz ele. 

Miranda e Thiago Arnese eram funcionários da Pagar.me, fintech vendida para a Stone. Miranda foi o segundo funcionário da Pagar.me e era desenvolvedor em 2013. No último ano da empresa, 2016, Miranda estava na área de vendas, o que proporcionou o contato com muitas companhias.

“Nessa época vimos uma demanda de algumas empresas querendo construir um Pagar.me dentro de casa. Normalmente empresas B2B que vendem para outras companhias menores e que queriam oferecer sua própria solução de pagamento para os seus clientes, porque elas já tinham uma relação muito próxima com eles e viam que pequenas e médias empresas tinham problemas financeiros, problemas com fluxo de caixa”, relata. 

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Assim, Miranda e Arnese começaram a ajudar essas empresas a se tornarem fintechs, e perceberam que era muito complexo construir este tipo de solução do zero. Ao invés de trabalhar com uma consultoria, eles pensaram que o caminho ideal seria construir uma plataforma, que pode ser adaptada a cada empresa. Assim, a empresa interessada em se tornar uma fintech confere à Hash a abstração de tecnologia, regulamentação, licenças e operação. 

Desde 2017 até meados de 2019 a Hash trabalhou para construir a plataforma. “É um mercado que requer bastante conhecimento. É muito na tentativa e erro”, explica. A Hash atualmente está presente em 15 mil estabelecimentos comerciais. Segundo Miranda, a plataforma da Hash possibilita que empresas possam absorver os fluxos financeiros de toda a sua rede de clientes, por meio de uma solução inovadora e personalizada de acordo com as necessidades de cada público.  

A empresa possui 3 clientes na fase operacional (uma das maiores cadeias de materiais de construção e marcenaria do país, a Leo Madeiras, a startup de reforma Decorati e a startup de pagamentos Mobbi Pag) e oito clientes aguardando o término da pandemia para colocar seus terminais POS de volta nas ruas.

Leo Madeiras, por exemplo, possui o POS da Hash juntamente com uma conta digital para controlar o saldo do estabelecimento, que também oferece benefícios como compras parceladas. O resultado disso? A maioria dos marceneiros que compram insumos na Leo Madeiras acabaram migrando também para as maquininhas da Hash. “O volume para a gente acabou aumentando apesar de não estarmos colocando mais maquininhas nas ruas. Continuamos crescendo 20% de abril para maio”, disse. 

A marcenaria foi um mercado que cresceu durante a pandemia, já que, em casa, a demanda por móveis e projetos novos aumentou, conforme explicou Miranda.

A Leo Madeiras deu suporte para esses clientes continuarem vendendo. A gente não distribuiu novas máquinas porque tivemos problemas com nosso fornecedor, já que a fábrica parou, mas para quem já tinha maquininha a Leo Madeiras vendeu mais do que normalmente vendia

João miranda, fundador e ceo da hash.

Segundo Miranda, a Hash ativou o “modo de guerra”, que é quando o merchant, que usa a maquininha com tecnologia da Hash tem também acesso a um link de vendas, para que ao invés de processar com a maquininha ele possa mandar o link para o cliente dele pagar online. “A gente tentou se adaptar também para ajudar quem não conseguia vender de modo geral, e em paralelo muitos clientes foram bem criativos. Na marcenaria eles conseguem trabalhar de casa, já fazem os projetos dentro da própria casa, então eles continuaram vendendo”.

Escalando durante a pandemia 

Quando se fala em pagamentos, a Hash percebeu a diferença desde o início da pandemia no Brasil, como a demanda por cartão contactless. “O consumidor já não quer colocar o dedo na tecla, a adesão desses serviços contactless cresceu absurdamente e é um padrão que a gente começa a perceber que se mantém”, afirma. 

Com mais de R$ 13 milhões em rodadas de investimentos dos fundos Kaszek Ventures e Canary, a Hash deve fazer uma nova rodada até o final do ano, conforme afirma Miranda.

Estamos bem capitalizados, estávamos olhando para um cenário bem negativo que acabou não acontecendo, então a gente tem caixa para executar tudo que a gente precisa e provavelmente até o final do ano a gente faça uma nova rodada para acelerar nosso crescimento

JOÃO MIRANDA, FUNDADOR E CEO DA HASH.

Em 2019, a empresa transacionou R$ 150 milhões e, até 2020, a expectativa é chegar a R$ 500 milhões, já que espera ser a porta de entrada do mundo dos serviços financeiros para um número cada vez maior de empresas.