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Cenário atual do e-commerce no Brasil e América Latina

Saiba mais sobre o crescimento da comunidade digital na América Latina e o seu impacto na economia da região.

Ao longo dos últimos anos, a América Latina e o Caribe (LAC) têm obtido resultados positivos nos indicadores digitais, como aumento da penetração da internet e demanda dos consumidores. Apenas nos últimos 3 anos a região dobrou o faturamento monetário nos e-commerces, saindo de US$ 40 bilhões para US$ 80 bilhões.

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O e-commerce na América Latina

Segundo um relatório sobre o Índice de Evolução Digital para América Latina e Caribe (DEI LAC), elaborado pela The Fletcher School em parceria com a Mastercard, o avanço dos países da região no âmbito digital é constante.

Para chegar aos números apresentados no estudo, os pesquisadores analisaram o mercado do comércio eletrônico na região em um período de dez anos (entre 2008 e 2017) e 24 países. Além disso, foram usados 99 indicadores gerais para medir o nível digital de cada local, como quantidade de pessoas que possuem um smartphone com uma cobertura de, pelo menos, 3G.

De acordo com a pesquisa realizada no DEI LAC, o e-commerce latino-americano e caribenho saiu de um mercado para 126 milhões de pessoas em 2016 para 156 milhões em 2019. Em termos de faturamento, este aumento de consumidores significou o dobro de resultados monetários, passando de US$ 40 bilhões para US$ 80 bilhões.

Quando falamos em termos absolutos de crescimento digital, os países que mais destacaram-se foram respectivamente: Chile (58,7 pontos), Porto Rico (54,7 pontos), Bahamas (53,3 pontos) e Uruguai (53 pontos).

Já quando pensamos nos últimos anos, os países que mais evoluíram foram: Bolívia com um crescimento de 4,1%, seguida por Equador com 3,7%, Uruguai com 3,4% e, por fim, o México com 3,3%.

Segundo um outro estudo, este realizado Ecommerce Foundation, o faturamento no comércio eletrônico B2C latino-americano cresceu 13,8% com uma receita de US$ 60 bilhões

Entre os mercados mais maduros da região, estão o México e o Brasil com os maiores faturamentos da região. Os dois países praticamente dominam a rentabilidade da América Latina, que conta com a Argentina em terceiro lugar com US$ 6,83 bilhões de faturamento em comércio eletrônico.

De acordo com um relatório divulgado pela empresa de pagamentos da Wordplay, o mercado global do comércio eletrônico deve crescer, em média, 11% nos próximos cinco anos. Dentre todas as regiões, a América Latina deve ser a líder desta expansão com um aumento de 19% e ultrapassando a marca de US$ 110 bilhões de faturamento em 2021.

Este mesmo estudo também mostra que, atualmente, Colômbia e Argentina – junto com a Nigéria – são os países que têm o crescimento mais rápido no e-commerce. Segundo a projeção da pesquisas, eles devem ter um crescimento anual de 31%, 30% e 24% respectivamente.

Fatores que contribuíram para o crescimento do mercado de vendas online

Os números comprovam o crescimento do e-commerce na América Latina e Caribe. Entre os principais fatores que contribuíram para esta ascensão, podemos destacar o poder econômico da região. Juntos, os 33 países da região, foram a terceira maior economia do mundo com um PIB (Produto Interno Bruto) de mais de US$ 5.2 trilhões em 2015 e uma população de mais de 630 milhões de pessoas.

Os pontos comuns na cultura e a facilidade no idioma – só o Brasil não fala espanhol – também contribuem para este crescimento.

Outro fator contribuinte é o aumento na cobertura de conectividade e acessibilidade dos serviços, com expansão do 3G e 4G na região. Dos 24 países analisados pelo DEI LAC, 22 deles já estão cobertos por essas duas redes de conectividade. Isso pode ser observado pelo crescimento na porcentagem de conexões móveis com internet nestes locais, que passou de 29,4% em 2013 para 64,2% em 2017.

O consumo digital e o engajamento neste tipo de mídia também estão aumentando entre os conectados. Para se ter uma ideia, a compra pela internet per capita nas quatros maiores economias da região (Argentina, Brasil, Colômbia e México) cresceu de US$ 51 em 2013 para US$ 75 em 2017.

O e-commerce no Brasil

Assim como em toda a América Latina e Caribe, o e-commerce no Brasil vem crescendo ano após ano. Segundo uma pesquisa realizada pela Ebit, em parceria com a Elo, o país teve um faturamento de R$ 47,7 bilhões no comércio eletrônico em 2017. Este número representa um aumento de 7,5% em a 2016.

O número de pedidos também aumentou, sendo 111,2 milhões de solicitações em 2017 contra 106,3 milhões no ano anterior. O consumidor também passou a gastar mais, com o ticket médio saindo de R$ 418 para R$ 429.

Ainda de acordo com este estudo, a quantidade de consumidores brasileiros no e-commerce também aumentou, chegando a 55,15 milhões em 2017. Uma taxa de aproximadamente de 15% se compararmos com o resultado de 47,93 milhões no ano anterior.

Outro crescimento apontado pela pesquisa é a efetuação de compras por tablets e smartphones. Em 2017, 27,3% das compras foram realizadas por estes canais, uma expansão de 31% se comparado com o mesmo período em 2016.

Também vale ressaltar o aumento das compras pagas à vista no e-commerce. No último ano, 49,8% das compras foram pagas à vista, seguida pelas transações parceladas entre 4 e 12 vezes com 31,5% e entre 2 ou 3 parcelas com 18,7% do volume total. Este último dado também foi apontado por um estudo do Atlas, que concluiu que 35,5% dos pedidos feitos pela internet foram pagos em boletos.

O e-commerce no México

Como já vimos anteriormente, o México é um dos principais países para o mercado de e-commerce da América Latina. A força do comércio eletrônico mexicano é impressionante, só de 2016 para 2017, o país teve uma ascensão de 28,3%.

Mesmo com resultados tão positivos, o esperado é que a região continue em ritmo expansão, em especial por conta do investimento em melhorias na conectividade, inclusões financeiras e maior alfabetização digital.

As lojas virtuais mexicanas apostam muito nas sazonalidades para aumentar suas vendas, em especial o Hot Sale Event, evento que acontece no primeiro semestre do ano. Segundo a AMVO (Associação Mexicana de Venda Online), em 2017, foram vendidos na data mais de 6 milhões de itens, além de 2,9 milhões de novos compradores e 260 lojas participantes.

Leia também: “Guia completo: O consumidor mexicano de sites internacionais

Conclusão

Seja por conta da expansão em conectividade ou pelo poder econômico da região, a verdade é que a América Latina e o Caribe são um mercado em potencial para quem deseja investir em e-commerce. Só nos últimos três anos, o faturamento do mercado digital dobrou na região da América Latina e Caribe, tendo o Brasil, México e Argentina como os países com maior rendimento.

Os empreendedores digitais cada vez mais encontram no público latino e caribenho um bom motivo para investir. Além do alto potencial de crescimento econômico, a facilidade no idioma e a cultura similar também influenciam na expansão das lojas virtuais na região. Realizar este tipo de investimento enquanto o mercado ainda está em crescimento é uma boa solução para quem planeja ter um sucesso sólido a longo prazo.